Dourados voltou a acender o alerta para a chikungunya. Depois de enfrentar uma epidemia em 2026, o município registrou novo crescimento nas notificações justamente enquanto mantém um déficit de 183 profissionais entre Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE).
Entre 18 e 24 de outubro, foram 66 notificações de chikungunya, contra 45 na semana anterior, aumento de 46,7%. No acumulado do ano, os dados apresentados apontam 10.892 notificações suspeitas, 5.307 casos confirmados e 19 mortes.
Ao mesmo tempo, levantamento divulgado pela Câmara Municipal aponta déficit de 97 Agentes de Combate às Endemias e 86 Agentes Comunitários de Saúde. São profissionais que atuam diretamente nos bairros, com visitas domiciliares, orientação à população e combate aos focos do Aedes aegypti.
Um dos principais pontos levantados pelos candidatos aprovados e representantes das categorias envolve a justificativa orçamentária para a falta de novas convocações. Segundo documento atribuído à própria Controladoria do Município, as restrições relacionadas ao limite prudencial atingiriam outras áreas da administração e não teriam a mesma aplicação sobre ACS e ACE custeados com recursos federais.
O argumento também se apoia no artigo 198, §11, da Constituição Federal, que prevê tratamento específico para as despesas com esses profissionais quando custeadas com transferências da União. Com isso, os aprovados cobram que a Prefeitura esclareça quais seriam, de fato, os impedimentos para preencher as vagas existentes.
A discussão ganhou força durante audiência pública realizada em 28 de outubro, proposta pelo vereador Inspetor Cabral. Candidatos do concurso de 2024, profissionais da saúde e representantes sindicais lotaram a Câmara e cobraram um cronograma para novas convocações.
O Ministério Público também acompanha a situação e já solicitou informações sobre cargos vagos, distribuição das equipes e previsão de convocação dos aprovados.
Com o novo aumento das notificações de chikungunya, a pressão cresce para que o município apresente respostas objetivas sobre o déficit de profissionais e explique por que as vagas ainda não foram preenchidas.
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