
Na política, nem toda renúncia representa uma derrota. Muitas vezes, ela faz parte de uma estratégia maior.
A decisão do senador Nelsinho Trad de abrir mão da disputa pela reeleição ao Senado para ocupar a primeira suplência na chapa de Reinaldo Azambuja pegou muita gente de surpresa. À primeira vista, parece um movimento difícil de entender. Afinal, por que um senador deixaria de disputar mais oito anos de mandato para aceitar a condição de suplente?
Mas, quando observamos o cenário político de Mato Grosso do Sul, a resposta pode estar justamente no longo prazo.
Segundo informações publicadas pela imprensa, o 'acordo' político entre Nelsinho, Reinaldo Azambuja e o governador Eduardo Riedel prevê, além da composição para 2026, o apoio do grupo a uma eventual candidatura de Nelsinho à Prefeitura de Campo Grande em 2028.
Se esse projeto realmente se confirmar, a decisão passa a fazer muito mais sentido.
Em vez de disputar uma eleição para permanecer no Senado, Nelsinho passa a integrar um grupo político que hoje concentra uma das maiores capacidades de articulação do Estado e mantém abertas as portas para um novo desafio eleitoral daqui a dois anos.
E há outro aspecto que merece atenção.
Essa movimentação também reforça o protagonismo político de Reinaldo Azambuja. Nos últimos dias, ele conseguiu consolidar sua candidatura ao Senado, atrair um senador de outro partido para sua chapa e construir uma composição que reúne lideranças de diferentes correntes políticas.
Enquanto isso, outro episódio chamou a atenção.
O deputado federal Marcos Pollon percorreu Mato Grosso do Sul apresentando uma carta de apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro à sua candidatura ao Senado. Ainda assim, a definição da chapa seguiu outro caminho, com Reinaldo Azambuja consolidando sua posição e Pollon ficando fora da composição principal.
Independentemente da preferência política de cada eleitor, os fatos demonstram que Reinaldo conseguiu construir uma articulação que prevaleceu sobre outras forças que também disputavam espaço dentro da direita sul-mato-grossense.
Tudo isso mostra que as eleições de 2026 começaram muito antes da campanha oficial.
As alianças que estão sendo firmadas hoje não tratam apenas da próxima eleição. Elas também ajudam a desenhar quem terá influência nas principais decisões políticas de Mato Grosso do Sul nos próximos anos.
Na política, dificilmente uma decisão importante é tomada pensando apenas no presente. E, olhando para esse cenário, talvez Nelsinho não tenha desistido de um mandato. Talvez tenha escolhido investir em um projeto político ainda maior.
Este é o OPNIÃO DE IMPACTO.
Mín. 19° Máx. 34°
