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Famílias em área invadida vivem na base do improviso

29/01/2014 às 17h00
Por: Redacao Fonte: Dourados News
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Há 20 dias a região da Via Parque, via que dá acesso aos bairros Cachoeirinha e Jardim Climax - local aonde seriam construídas 200 casas – é possível encontra centenas de casinhas de lonas, de tapumes ou restos de madeiras, todas espalhadas em uma área aberta com crianças correndo e brincando e famílias montando seus barracos e outros aumentando suas “novas” moradias.

Com muito improviso, os barracos são construídoscom no máximo dois metros quadrados, os banheiros a céu aberto - verdadeiros mictórios-, as cozinhas sem nenhum encanamento ou água encanada tudo lavado com canequinha e escorrendo pelas improvisadas ruas e “quintais”. Na hora do banho a mesma situação, os moradores se lavam e enxaguam pegando na canequinha a água nos baldes.

Dentro dos barracos os quartos com apenas uma cama, na maioria das vezes é dividida por uma família inteira, que são integradas por até seis pessoas.

A energia puxada direto da rede é distribuída às moradias de forma rústica e perigosa, fios que seguem em vigas enfiadas no chão para ser usadas como postes. Já a água foi adquirida através de um poço cavado pelos próprios moradores e é distribuído de forma democrática, porém sem nenhum tratamento.

 
Ana Carolina e José Carlos moram em um barraco com no máximo dois metros quadrados

Essa é a situação do casal José Carlos, 17 e Ana Carolina, 16, que foram para a área invadida no primeiro dia e montaram o barraco deles. Para oDourados News eles disseram que a situação é difícil, mas que estão tentando melhorar de vida.

“Estamos arriscando tudo, para quem sabe possamos conquistar uma casa. Morávamos de aluguel e estamos desempregados e não temos para onde ir e nem condições de continuar pagando, então viemos para cá tentar conseguir uma casa. Vamos esperar, temos esperança” disse José que arrumava seu barraco que foi destruído pela chuva do final de semana.

“No dia da chuva caiu tudo, molhou todas nossas coisas, a lona rasgou e agora estamos arrumando, preparando uma estrutura um pouco melhor para colocar algumas telhas” contou Ana Carolina.

Sobre a forma para se mantêm e se alimentam, Ana Carolina disse que está vivendo á base de ajuda de familiares e de doações.

“Minha mãe sempre que pode, nos ajuda com alguma coisa, mas ela também vive em dificuldades financeiras, então procuramos doações e assim vamos nos virando” disse a jovem.

 
O pedreiro Severiano Lucero aumenta o barraco onde mora com o filho de 15 anos

No barraco ao lado, o pedreiro Severiano Lucero de 43 anos, que está em Dourados há sete meses, disse que veio de Bela Vista e mora apenas com o filho de 15 anos e tem perspectiva de conseguir pela prefeitura uma casa para morar.

“Estou desempregado, estava morando de favor e quando fiquei sabendo dessa área vi pra cá com meu filho” contou o pedreiro.

Questionado sobre a falta de estrutura e saneamento básico para viver, o pedreiro disse à reportagem, que é uma situação de extrema dificuldade, mas que não deixará de lutar.

“Estou tentando viver honestamente com meu filho, mas a situação é complicada. Não estou roubando nada de ninguém, apenas pedindo ajuda para que possa viver dignamente” declarou o Lucero.

Seguindo em meio às ruas improvisadas e aos barracos, estavam Naiara Pires Machado, 19, e Carla Romero de 14 anos, vendendo salgado. Elas disseram que resolveram arrumar algum tipo de trabalho e arrecadar dinheiro para comprar lona e arrumar o barraco onde mora.

 
Naiara e a amiga Carla vendem salgado para conseguir comprar a lona do barraco que rasgou com a chuva

“Depois da chuva do final de semana minha casa despencou então eu e outra vizinha, resolvemos nos ajudar vendendo salgado, estamos arrecadando um dinheirinho para depois comprar as coisas que precisamos e arrumar nosso barraco” contou Naiara.

Ontem o procurador geral do Município, Alessandro Fagundes, explicou que no Fórum ainda não foi recebido a notificação dos oficiais de justiça. “O prazo só começa a valer após o recebimento do despacho, e como ainda não foi entregue o documento assinado por algum representante, eles continuam acampados” disse o procurador.

Na semana passada o juiz da 6ª Vara Cível de Dourados, José Domingos Filho determinou a reintegração de posse da área favorável a prefeitura, pois segundo ele a invasão foi ilícita e deu o prazo de cinco dias após o recebimento da notificação para que deixem o local. Caso não saiam pacificamente força policial será utilizada.

José Carlos e Severiano reformam os barracos
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