Descontentes com a qualidade do atendimento que está sendo prestado nos postos de saúde da reserva indígena de Dourados, moradores das aldeias Bororó e Jaguapiru se reuniram na manhã de ontem com representantes do poder público, no Plenarinho da Câmara Municipal.
O objetivo do encontro foi tentar buscar uma solução para o maior problema da saúde nas aldeias que, segundo os indígenas, é a indefinição das funções por parte do município e da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). “A comunidade sofre muito quando precisa ir aos postos de saúde.
Dos três que existem nas aldeias, nenhum deles está em condições de dar um atendimento completo ao enfermo. Em alguns faltam funcionários; em outros, insumos hospitalares e medicamentos”, disse Gaudêncio Benites, cacique recém-eleito pela Bororó.
Segundo ele, a administração municipal e a Sesai precisam se entender melhor. “Nesse cenário, a comunidade fica um pouco perdida, pois se vamos pedir apoio de ‘A’, o ‘A’ diz que tal assunto não é de sua competência e transfere as responsabilidades para o ‘B’, e vice-versa. Enquanto isso não acabar, não conseguiremos progredir”, destacou.
Comissão
Por sua vez, o vereador Aguilera de Souza, interlocutor entre os moradores da reserva e o poder público, disse que um dos objetivos da reunião foi planejar a criação de uma comissão que irá atuar junto com a Coordenaria de Assuntos Indígenas inaugurada no ano passado, pela prefeitura. “Essa comissão iria fiscalizar as ações da Sesai e também do município, bem como auxiliá-los nesse trabalho de reestruturação da saúde indígena.
Não adianta apenas cobrarmos, também estamos dispostos a ajudar no que for preciso, fornecendo dados das principais demandas. Para se ter uma ideia, a situação hoje chegou ao ponto de que alguns dos postos de saúde das aldeias não têm nem mesmo um vigia”, destacou Aguilera.
“A indefinição nos papéis entre estas duas entidades está refletindo diretamente na comunidade que já tem problemas demais. Vejo que não falta boa vontade, principalmente da prefeitura, mas esse ruído na comunicação precisa ser corrigido”, completou.
Os indígenas também reclamaram da má distribuição de medicamentos, entretanto, conforme divulgado recentemente pela Sesai ao O PROGRESSO, existem algumas restrições. Por lei, a entidade pode fornecer apenas medicamentos de necessidade básica. As demais categorias são responsabilidade do município e do Estado.
Sugestão
O secretário adjunto de Saúde de Dourados, Márcio Figueiredo, acompanhado do vereador Pedro Pepa, que preside a Comissão de Saúde da Câmara de Dourados, disse que o município apoia a luta dos indígenas e fará os esforços necessários.
Ele fez uma sugestão importante. “A ideia da comissão é muito boa, porém, ela precisa ser organizada. Acredito que seria muito importante se esta comissão contasse com representantes oficiais de cada um dos lados envolvidos, além, claro, de profissionais especializados que possam dar a orientação correta.
Sendo assim, acredito que a comissão deveria ter, por exemplo, membros da comunidade indígena, da prefeitura e da Sesai. Se todos se unirem, acredito que o trabalho será mais eficiente”, explicou.
Segundo o vereador Aguilera de Souza, a Sesai foi convidada para a reunião, mas não pôde comparecer, todavia, se comprometeu em analisar as demandas apresentadas pelos indígenas.
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