Cresceu, e muito, a quantidade de famílias que ocupam uma área da prefeitura entre o Jardim Clímax e a via parque, em Dourados. Na sexta-feira, havia no local aproximadamente 200 famílias. A reportagem retornou ao local e até o final da tarde de ontem, mais que dobrou a quantidade de famílias e barracos. Terrenos particulares nas imediações também foram invadidos.
O que chama a atenção é a quantidade de veículos no local, estacionados na via parque e sob os lotes demarcados pelos invasores. Há camionetes e carros de passeio zero quilômetro. Há também motocicletas, bicicletas e carroças, meio de transporte de alguns invasores mais modestos.
Fátima Maria de Lima está preocupada com a invasão. Ela recém adquiriu um terreno de um lote desmembrado de uma chácara. No local, ela já colocou o padrão de energia, aterrou e estava se preparando para construir a casa quando foi pega de surpresa com a invasão, no sábado. “A gente trabalha para conseguir algum bem e aí tem o local invadido”, disse ela, que procurou a delegacia.
O terreno de Fátima fica quase no cruzamento do final da rua Cuiabá com a via parque. A região é bastante arborizada e dá acesso à BR-463. Neste local, há uma grande área da prefeitura, que iniciou obras de casas populares, interrompidas por problemas financeiros da empresa contratada, conforme a prefeitura. Não há previsão das obras reiniciarem.
Na sexta-feira, como havia barracos em quantidade inferior a ontem, a divisão dos lotes estava de forma ordenada, em tamanhos de 200 metros quadrados. Porém, com o aumento significativo de famílias, tudo mudou. Os lotes estão sendo demarcados com barbantes no chão e nos terrenos erguidos barracos de lonas, alguns com o nome do proprietário. Há muitas crianças e a maioria não pernoite nos barracos.
Jair Ferreira de Lima, de 42 anos, demarcou ontem um lote. Com a esposa, filha e neto ele construiu um barraco. “Sempre morei de aluguel e quando soube que havia a oportunidade de conseguir um terreno imediatamente vim para cá”, disse ele, que pretende permanecer no local. “Com um terreninho eu construo umas peças e realizo o sonho da casa própria”, argumentou.
Enquanto a reportagem esteve na área, a todo o momento era possível observar a chegada de mais famílias. Curiosas, as pessoas chegavam às diferentes aglomerações que havia, para se informar sobre que lote poderia ocupar. “Fui demarcar um terreno e vieram me cobrar cem reais para ficar no local”, disse um invasor, apontando para o proprietário de um carrão, suposto chefão, que estava na companhia de várias pessoas tomando cerveja.
O prefeito Murilo Zauith já passou pelo local. A sua grande indagação é sobre quem está por trás das invasões. Ele não culpa as famílias pela decisão de invadir, mas sim de quem as incentivou a entrar no local, sabendo que ali é uma área pública destinada a construção de moradias dentro dos parâmetros legais. O prefeito afirmou que não vai colocar a polícia para retirar os invasores, levando em consideração que entre as famílias existem mulheres e crianças.
Mín. 17° Máx. 28°
