Os lixões a céu aberto, presentes em várias localidades de Dourados, são um desafio dentro das campanhas de combate à dengue. Com diversos objetos que, ao armazenar a água das chuvas, se tornam potenciais focos de proliferação do mosquito transmissor da doença, nem mesmo a multa que penaliza quem não cuida da conservação das áreas de terrenos e construções tem intimidado os flagrantes.
Em contato com o Dourados News moradores do Parque das Nações I reclamaram do estado em que se encontra um terreno localizado no cruzamento das ruas Nicarágua e Canadá. Em visita ao local, a reportagem flagrou a situação crítica, onde vários objetos como pneus, garrafas, entulho, e até mesmo piscinas e sofás acumulavam água parada em meio ao mato alto.
Um morador do local há mais de 10 anos, e que preferiu não se identificar, reclamou da situação. “É sempre assim. Já reclamamos, mas não adianta nada. Quando chove, sai de tudo daquele mato, desde ratos até cobras. É uma situação horrível mesmo”.
Outra pessoa, que também não quis se identificar, disse que pessoas e empresas de vários lugares vão até o local, que seria de propriedade privada, para depositar lixo.
“Muita gente da vizinhança já teve dengue. Já vi várias vezes caminhões parando aqui e jogando lixo, até caminhão de empresa que presta serviço para a prefeitura. Esse lixo além de tudo, ainda atrai bicho para as casas. É ratazana, cobra, barata, tem de tudo aí. Reclamamos, mas não adianta nada, e até morador joga lixo, então fica difícil”.
Além desta área, o Dourados News também foi informado sobre a presença de lixões a céu aberto na região da Perimetral Norte, próximo ao Parque Alvorada; no Jardim Piratininga, na região próxima ao córrego Laranja Doce; e ainda nas proximidades da rodovia MS-156, sentido Distrito Industrial.
A Lei nº 2850/06 - conhecida com Lei da dengue – prevê notificações a proprietários de terrenos ou construções onde sejam constatadas irregularidades favoráveis à proliferação de focos do mosquito transmissor da doença. Depois de notificados, os proprietários devem promover a limpeza dos terrenos ou construções, podendo ser multados com valor mínimo de R$ 500 caso isso não aconteça. Em caso de reincidência, a o valor da multa dobra.
De acordo com o coordenador municipal de Vigilância em Saúde, Fernando Bastos, a situação é problemática, muito por depender da “boa vontade” dos proprietários dos terrenos.
“A equipe do CCZ [Centro de Controle de Zoonoses] identifica o terreno e encaminha a notificação para a prefeitura, que conduz o processo de multa ao proprietário, caso ele não promova a limpeza. É realmente uma situação problemática, porque a maioria dos proprietários de terrenos desocupados não estão preocupados com a manutenção da área e limpeza, o que acaba estimulando a concentração desses lixões, e a proliferação de potenciais focos do mosquito da Dengue”, apontou o diretor.
Ainda de acordo com Bastos, a população pode fazer denúncias e indicar os locais onde existe a formação de lixões, para que o proprietário seja penalizado, e os focos do mosquito aedes aegypti combatidos.
“Basta ligar no CCZ e fazer a denúncia, para que os fiscais possam visitar o local e também fazer a notificação ao proprietário. No mais, pedimos que a população nos ajude nesse sentido, até porque existem muitas situações em que os próprios moradores colaboram para a formação dos lixões”, finalizou Bastos. O telefone para denúncias é o (67) 3411-7753.
Conforme dados divulgados no dia 6 deste mês pela Secretaria Municipal de Saúde, o balanço mais recente sobre o número de casos de dengue indica 2.441 casos entre janeiro e o dia 27 de dezembro de 2013. Deste total, 1.789 foram confirmados e o restante ainda aguarda a comprovação por meio de exame. Em meio a esses casos, houve uma morte confirmada por causa da doença.
Mín. 17° Máx. 28°
