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Jornalista com doença grave vira pai em livro e adota 4 meninas na imaginação

08/01/2014 às 08h00
Por: Redacao Fonte: Campo Grande News
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Amélia, Beatriz, Daniela e Sofia. Quatro meninas e uma história, de como seria a vida com elas, mas contada em versos. Foi pelos poemas que o jornalista Pedro de Moraes Martinez, de 26 anos, encontrou a maneira de ser pai. As quatro filhas foram adotadas na imaginação. Por ser portador de Distrofia Muscular de Duchenne, Pedro escolheu ser pai adotivo das personagens de sua poesia, a ver o risco de passar a distrofia às meninas.

A mais velha é Amélia, responsável e o exemplo para as irmãs. Estilista e que jura que qualquer trapo pode ser transformado em seda pura. É a seriedade em pessoa quando precisa e, quando pode, não segura o riso. Beatriz é a inocência em forma de gente, daquelas meninas que acredita que o amor perfeito ainda existe e está por aí. De coração mole, se deslumbra fácil e tem uma verdadeira paixão pela fotografia e pelo que pode ser retratado. A filha número três é Daniela, que vê a razão como a solução dos problemas. Mas não se deixa levar só por isso, é quem inspira a casa de esperança de dias melhores. Tem para si a filosofia de “acalme seu coração que o destino vai prover”.

Já Sofia nasceu para ser a filha caçula, é cheia de energia, chora de alegria e procura colo quando está emburrada. Inspira força de vontade e sonha em ser bióloga.

Quando boa parte das pessoas à sua volta está formando uma família, casando, tendo filhos, é pela poesia que Pedro formou a sua. “Faz muito tempo que, conversando com a minha mãe, eu tinha uns 17 anos, perguntei se ia poder ter filho. Descobri que pela doença rara e mais frequente em meninos, tinha 90% de chance do meu filho ter mesma coisa. Já que era assim, preferia adotar”, explica.

Para tornar a ideia de como seria a vida com elas ainda mais real, ele juntou os versos num livro. Parte das poesias são antigas, de cinco anos atrás. O livro era para ser prosa, mas Pedro preferiu primeiro lançar os versos. A venda é de boca em boca, com os planos futuros de transformar em um e-book e disponibilizar em formato digital, junto com os poemas musicalizados.

“O meu sonho nesta vida, como com a maioria dos homens já adultos, é formar uma linda família repleta de filhos responsáveis por manter o nome da nossa família vivo durante gerações e gerações. Eu tenho esse mesmo sonho e sempre imaginei uma linda menina. Imaginei tanto que sonhei com quatro destas e sem nem mesmo saber se elas existirão aqui algum dia, já as amo sem noção”, descreve.

Dividido em quatro partes, Pedro dedica as primeiras poesias às pessoas que conheceu e que lhe inspiraram de alguma forma. Em seguida, versos que contam em rima o que ele se tornaria tendo tanto amor no coração e na terceira e quarta parte, entram as filhas. Primeiro uma homenagem e a descrição de cada uma delas, depois as palavras das quatro para este pai, tão amado.

O livro foi publicado com a doação de um amigo da família e agora se tornou produto do ‘crowdfunding’ que a família está fazendo, um financiamento coletivo para pagar a adaptação do novo carro com uma plataforma elevatória para cadeiras de rodas e um exame de sequenciamento genético a ser feito a Europa, para viabilizar um tratamento mais promissor com um medicamento experimental que será comercializado na Espanha.

A avó das meninas, mãe de Pedro, Rosana Puga de Moraes Martinez, foi quem contou ao filho que, biologicamente, ele não poderia ser pai. “A gente já sabia há algum tempo e nunca escondeu nada. Sempre respondeu no momento em que ele perguntou”, explica.

Doença - Pedro foi diagnosticado aos 5 anos, uma época em que os recursos da Medicina não acompanhavam o turbilhão de dúvidas dos pais. Rosana e a família se empenharam desde então em saber o que havia de novidade para a saúde de Pedro. Uma das boas novas é um medicamento que ainda está sendo testado em humanos, mas logo passará a ser industrializado na Espanha e promete reduzir o tempo de evolução da doença e a severidade dos sintomas da distrofia de Pedro. “Ele vai perdendo o tônus muscular e esse medicamento vai melhorar a vida do Pedro. Ele não vai voltar a andar, mas para nós faz toda a diferença, porque vai promover a manutenção da vida dele”, desabafa a mãe.

A distrofia de Pedro é rara, Rosana explica que é como se eles tivessem ganhado na loteria. O corpo do jornalista não produz nem a proteína chama distrofina, que é o que mantém a sustentação do músculo. “As pessoas precisam entender que a doença rara tem demandas que custam”, comenta. A adaptação do veículo, por exemplo, custa até R$ 56 mil.

Poesias - O livro vai financiar o exame de DNA que Pedro será submetido para confirmar qual é a doença dele. A família já está se adiantando na documentação para que, quando o medicamento europeu passar a ser comercializado, eles possam conseguir a importação. O exame não é disponibilizado no Brasil e custa em média R$ 9 mil.

As limitações impostas pela distrofia não impediram Pedro de vivenciar o amor de uma família em “A vida com elas”. Os cuidados e o carinho que ele teve, ainda que na imaginação, nos dá a ideia de quão maravilhoso pai ele seria.

O livro já está sendo vendido aqui em Campo Grande. Os preços foram escalonados de acordo com a dedicatória do pai de Amélia, Beatriz, Daniela e Sofia. A partir de R$ 50, se compra um exemplar autografado pelo autor. Com R$ 100, são dois livros autografados com um poema personalizado na dedicatória, baseado nas informações públicas do perfil do Facebook do comprador. A partir de R$ 150, são três exemplares autografados, com poemas personalizados e a composição de uma música, feita por Pedro. Para adquirir o livro, entre em contato com o Pedro pelo Facebook.

As limitações impostas pela distrofia não impediram Pedro de vivenciar o amor de uma família em “A vida com elas”.

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