A tão conhecida Praça do Cinquentenário, na Cabeceira Alegre, em Dourados, já foi palco de diversos acontecimentos históricos.
O local, onde antes ficava o aeroporto municipal, já teve outro nome. Muitos pioneiros acreditam que a praça deveria voltar a se chamar “Juscelino Kubitschek”.
Foi lá que o então candidato à Presidência da República, Juscelino, aterrissou de avião e realizou comício em 1955. O evento reuniu a maioria dos moradores da cidade. Com esse acontecimento que marcou o município, o local que virou uma praça recebeu uma enorme placa com o nome de Juscelino Kubitschek.
De acordo com o professor de história e economia política, Sultan Rasslan, houve um equívoco quando o nome foi substituído.
Para Sultan, nenhum evento no local foi tão marcante como a passagem de JK. “Infelizmente o nome foi dado por força de lei e acabou sendo alterado. Mas nada mais justo que voltasse a se chamar Praça Juscelino Kubitschek. Tinha apenas 16 anos quando ele esteve em Dourados e lembro-me da mobilização que foi. Por vários anos foi o assunto na cidade, já que se elegeu naquele pleito”, disse Sultan.
João Goulart
Outro presidente que esteve em Dourados e ficou marcado na lembrança de muitos pioneiros foi João Goulart.
O chefe do executivo do país na época fez a entrega dos títulos das propriedades da Colônia Agrícola Nacional de Dourados (Cand), que tinha sido criada pelo presidente Getúlio Vargas.
Goulart esteve na Vila Brasil, atualmente onde está a cidade de Fátima do Sul. De acordo com Sultan, caravanas saíram da sede em Dourados para participar da entrega dos títulos.
“O Cand é um dos principais marcos de Dourados. É o momento em que o município começa a crescer e se desenvolver”, explicou Rasslan.
“Chuva de tiros”
A vinda dos pais de Sultan Rasslan para Dourados foi marcada por uma chuva de tiros logo na entrada da cidade. Vindos de Minas Gerais, Salomão Rasslan e Nabiha Sued Rasslan ficaram na casa de parentes em Campo Grande até virem para Dourados.
O casal saiu da cidade acompanhada de um dos tios de Sultan, que fora buscar os parentes.
Quatro irmãos de Sultan, Aniz Rasslan, Mahiba Rasslan, Anice Rasslan e Azet Rasslan acompanhavam os pais.
No momento em que chegavam a Dourados, vários tiros começaram a ser disparados.
Assustados, todos correram em busca de abrigo. Os tiros de várias armas e calibres diferentes eram disparados a todo o momento, deixando a família ainda mais preocupada e achando que a cidade estava sendo invadida.
Minutos depois, chegou a informação de que os douradenses comemoravam a emancipação de Dourados, que pertencia ao território de Ponta Porã.
“Minha família chegou no mesmo momento que chegava a carta de emancipação do município. Todos comemoravam muito. Naquela época era comum que grande parte dos homens andassem armados”, brincou Sultan.
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