A assessoria de comunicação do HU (Hospital Universitário) de Dourados negou, por meio de nota oficial, o espancamento de um paciente que estava internado na ala psiquiátrica do hospital, conforme acusado pela mãe do rapaz de 29 anos, em matéria publicada no Dourados News.
Segundo a direção geral, o caso é apurado para responsabilização dos eventuais culpados pelo episódio, e afirmou que realmente houve a agressão no local, mas esta teria sido cometida pelo técnico de enfermagem acusado como autor pela família do paciente, após ele ter sido agredido após descontrole emocional, o que inclusive teria gerado, segundo as afirmações da direção do hospital, uma fratura no nariz do servidor.
O caso aconteceu no dia 30 quando, segundo informado na nota do HU, o paciente em questão teria arrumado “mais uma confusão” com o outro paciente internado no mesmo quarto, e o técnico de enfermagem tentou contê-lo. A direção do hospital avalia se houve imperícia por parte do servidor, que poderia “ter se defendido de maneira inadequada”.
Conforme as informações repassadas pelo HU, o paciente em questão tem, inclusive, um histórico de agressões durante as vezes em que esteve internado no hospital, tendo como vítimas outros pacientes e, inclusive, a própria mãe do rapaz, o que teria gerado o registro de um boletim de ocorrência por parte dela contra o filho.
Ainda de acordo com a direção geral do HU, a família do rapaz, ao longo de todas as internações, teria se mostrado “bastante descomprometida” com o tratamento dele, não atendendo as recomendações da equipe nos momentos de alta médica, e forçando internações para conseguir um laudo clínico que viabilizasse uma vaga permanente em uma clínica psiquiátrica em outro Estado.
Este laudo, no entanto, foi negado por médicos psiquiatras que discordaram da necessidade de internação permanente do paciente. Por fim, a direção do HU afirmou que irá adotar as providências necessárias caso qualquer responsabilidade por parte do servidor seja constatada. Confira a nota na íntegra:
NOTA À IMPRENSA
Com relação à divulgação da suposta agressão de um paciente nas dependências do Hospital Universitário da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), a direção-geral informa que o caso já está sendo apurado para responsabilização dos eventuais culpados pelo episódio. Ao contrário do que chegou a ser divulgado pela imprensa, não houve espancamento. A agressão ocorreu enquanto a equipe tentava conter o descontrole emocional do paciente onde inclusive o técnico de enfermagem supostamente responsável pelas agressões também foi ferido e teve o nariz quebrado.
Com relação a este atendimento, é necessário salientar que o paciente já esteve internado no hospital por diversas outras vezes, sempre para tratamento de esquizofrenia. A última internação foi realizada no dia 1º de outubro deste ano, após encaminhamento do Hospital da Vida. De acordo com a equipe responsável pelo atendimento, o paciente já tem histórico de problemas durante as internações, inclusive com agressões a outros pacientes e até à própria mãe, conforme boletim de ocorrência registrado por ela contra o filho.
Vale salientar que, desde as primeiras internações, a família deste paciente tem se demonstrado ausente e bastante descomprometida com seu tratamento, não atendendo às recomendações da equipe nos momentos de alta médica. Na última internação, o paciente foi encaminhado ao HU/UFGD inclusive sem indicação clínica, mas foi acolhido porque a mãe disse precisar de um laudo médico que possibilitasse o encaminhamento para internação de longa permanência em uma clínica psiquiátrica em outro Estado. No entanto, os dois médicos psiquiatras responsáveis pelo atendimento no HU/UFGD negaram a elaboração deste laudo por discordar da necessidade de internação de longa permanência.
De acordo com a equipe responsável pelo atendimento, o paciente já estava em condições de alta médica há pelo menos três semanas mas, como em outras ocasiões, a família se recusava a levá-lo para casa justamente porque buscava uma resposta judicial para a tentativa de internação de longa permanência fora do Estado.
Por fim, vale salientar que a suposta agressão do paciente ocorreu na noite de quarta-feira (30), quando a equipe tentava contê-lo após mais uma confusão com o paciente internado no mesmo quarto. No momento da abordagem, o técnico em enfermagem foi agredido pelo paciente e teve o nariz quebrado, momento em que pode ter se defendido de maneira inadequada. A direção do hospital avalia se houve imperícia do servidor na contenção de descontrole do paciente e irá adotar as providências necessárias caso qualquer responsabilidade seja constatada.
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