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Indígenas ampliam invasão e mantêm trabalhador refém em Japorã

15/10/2013 às 12h40
Por: Redacao Fonte: Dourados News
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Os Guaranis Kaiowás ampliaram de 168 para aproximadamente 370 hectares a área invadida na Fazenda São Jorge, em Japorã (MS). A ação ocorreu na madrugada desta segunda-feira (14) e segundo o gerente da fazenda, Wilson Aparecido de Matos, o número de indígenas passou de 30 para 320 e o trabalhador rural Irineu Fernandes está sendo mantido refém dos invasores.

Junto com a família, o gerente permanece no local com objetivo de evitar danos à sede da propriedade e de conseguir contato com o refém. Segundo Matos os indígenas ameaçam matar o gado, mas seu maior receio está relacionado à segurança do trabalhador rural. “Nosso colega de trabalho está retido e tememos a invasão da sede”, informa. O gerente registrou Boletim de Ocorrência na delegacia da cidade de Iguatemi, há seis quilômetros da propriedade.

Matos também afirma que se surpreende com a estrutura da invasão. “Na área em que invadiram, as barracas foram montadas em questão de minutos. É tudo muito bem planejado e as lonas utilizadas são novas, ações como essa exigem recursos financeiros”, considera Matos, ao informar que área está registrada desde 2002 e teve sua primeira invasão no ano seguinte.

Remanso Guaçu, São Jorge, Paloma e Guassuri são as quatro propriedades atualmente invadidas no município de Japorã. Naquela região os indígenas pretendem aumentar a aldeia Porto Lindo de 1.649 hectares para 9.454, onde passariam a chamá-la de “Ivycatu”. As primeiras invasões em Japorã ocorreram entre 2003 e 2004, quando 14 propriedades foram invadidas e algumas reintegradas após negociação judicial.

Na semana passada, além da invasão da Chácara Boa Esperança, no município de Miranda, também foi registrada a invasão da propriedade Baía dos Carneiros, em Corumbá. O advogado da Baía Carneiros, Carlos Fernando Souza, encaminhou documento ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, informando que os indígenas retiraram cabeças de gado da propriedade. No ofício, o advogado pede segurança às propriedades, baseando-se nos princípios constitucionais de responsabilidade dos Órgãos Federais e Estaduais.

Apesar do acordo firmado em junho deste ano com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de cessar as invasões para que uma solução concreta fosse apresentada pelo Governo Federal, 14 novas áreas privadas foram tomadas. De acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Sistema Famasul) o Estado soma atualmente 70 propriedades rurais invadidas por indígenas.

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