
O candidato a deputado federal Carlos Bernardo reuniu lideranças de atléticas e acadêmicos de diferentes faculdades de Medicina da região de fronteira para discutir propostas que atingem diretamente a realidade dos estudantes e da população que vive entre Brasil e Paraguai. O encontro teve como principais temas a implantação de um Hospital Binacional na região de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero e a necessidade de recuperar a renda e o poder de compra dos brasileiros.
A agenda foi realizada em parceria com a candidata a deputada estadual Dheine Martins, que também é estudante de Medicina. Durante o encontro, Carlos defendeu que a criação de uma estrutura hospitalar de alta complexidade na fronteira pode transformar não apenas o atendimento à população, mas também a formação dos milhares de brasileiros que cursam Medicina na região.
“Não estamos falando de um hospital, de uma faculdade ou de outra. Estamos falando de uma estrutura para atender a fronteira e que também pode integrar as instituições de ensino. O estudante precisa ter espaço para se formar e, depois de formado, precisa enxergar oportunidade para permanecer aqui trabalhando”, afirmou Carlos.
O Hospital Binacional não somente reduziria a necessidade de deslocamentos de pacientes para centros como Dourados e Campo Grande, como abriria novas possibilidades de internato, residência, formação prática e permanência de médicos na própria região.
“Hoje muita gente se forma aqui e vai embora porque não encontra estrutura suficiente para continuar na região. O que nós queremos é criar um ciclo: formar, qualificar, abrir espaço para esses profissionais e melhorar o atendimento da população. O Hospital Binacional faz parte dessa visão”, acrescentou.
A conversa com os acadêmicos avançou para outro problema que, segundo Carlos Bernardo, está diretamente ligado à realidade dos estudantes: a perda de capacidade financeira das famílias. A discussão não se limitou ao valor nominal do salário, mas considerou quanto esse dinheiro efetivamente consegue comprar depois das despesas com moradia, alimentação, transporte, energia e outros serviços básicos.
“Muitas vezes discutimos se o salário aumentou R$ 50 ou R$ 100, mas a pergunta que precisa ser feita é outra: quanto sobra no final do mês? O brasileiro precisa voltar a ter capacidade de pagar a casa, comprar comida, estudar, cuidar dos filhos e ainda conseguir construir alguma coisa para o futuro”, afirmou.
Dheine Martins disse conhecer bem as dificuldades enfrentadas por quem precisa conciliar mensalidade, aluguel, alimentação, transporte, trabalho e uma rotina intensa de estudos. “Eu faço Medicina, já passei por outra graduação, trabalho e sei o que significa lutar para conseguir estudar. Muitas das decisões que mudam a nossa vida não são tomadas aqui; são tomadas na Assembleia, em Brasília. Por isso precisamos ocupar esses espaços e participar das decisões”, disse.
Segundo ela, foram essas afinidades que a levou a escolher Carlos Bernardo como parceiro na disputa eleitoral. “Eu poderia ter escolhido outros candidatos com quem já tinha uma relação anterior, mas escolhi o Carlos porque nós temos uma afinidade muito grande na saúde. Se não tivermos saúde, não conseguimos fazer mais nada. E quando conheci o projeto do Hospital Binacional, entendi a dimensão do que ele pode representar para toda essa região”, afirmou.
Natural de Chapadão do Sul, a acadêmica Vitória relatou as dificuldades para cursar Medicina no Brasil. Ela interrompeu a formação, porque não conseguia mais arcar com os custos, foi quando decidiu atravessar a fronteira para realizar seu sonho.
“Não é fácil ser estudante. A gente paga mensalidade, moradia, alimentação, transporte e muitas vezes está longe dos pais. Eu comecei Medicina no Brasil e, por questões financeiras, não consegui continuar. Vim para cá para realizar esse sonho”, relatou.
Kleber Ortiz, que é vereador em Sanga Puitã, também participou do encontro e disse que a proposta do Hospital Binacional pesou em sua decisão de acompanhar Carlos na campanha.
“Eu conheço a realidade da fronteira e quero o melhor para a minha comunidade. O Hospital Binacional é um projeto muito importante para toda essa região. É por isso que estou acompanhando o Carlos nessa caminhada. Vejo nele alguém preparado para levar essas demandas para a Câmara dos Deputados”, afirmou.
A empresária Sandra Bernardo destacou que o impacto de uma estrutura binacional iria muito além dos estudantes de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero.
“A importância do Hospital Binacional está justamente nisso: ele não atenderia apenas duas cidades. Existe toda uma região de fronteira que precisa de atendimento e que muitas vezes depende de encaminhamento para cidades distantes”, disse.
Ela ressaltou também a possibilidade de retenção dos profissionais formados na região. “Muitos estudantes chegam aqui e depois não querem mais ir embora. Querem continuar vivendo e trabalhando na fronteira. Um hospital dessa dimensão significa atendimento para a população, mas significa também oportunidade para o médico que se formou aqui continuar aqui”, afirmou Sandra.
Ao final do encontro, Carlos e Dheine defenderam que problemas estruturais como saúde, formação profissional e geração de renda dificilmente serão resolvidos por uma única esfera de governo.
A proposta da parceria é justamente dividir responsabilidades: levar à Assembleia Legislativa os temas que dependem do Estado e colocar no Congresso Nacional as demandas que exigem recursos federais, articulação entre ministérios e, no caso da saúde de fronteira, diálogo institucional entre Brasil e Paraguai.
“Os problemas estão colocados. O que precisamos agora é transformar diagnóstico em projeto, projeto em articulação e articulação em resultado. É para fazer essa ponte entre a fronteira e Brasília que estamos construindo essa caminhada”, concluiu.
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