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Com medo de novos ataques, camelôs cogitam contratar segurança particular

03/09/2013 às 13h20
Por: Redacao Fonte: Diário MS
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Após o incêndio que destruiu três boxes no dia 28 de agosto, o grupo de camelôs que trabalha no cruzamento da avenida Weimar Gonçalves Torres com a rua João Rosa Góes, no Centro de Dourados, cogita contratar um guarda para fazer a segurança no local. O motivo seria o medo de novos ataques, já que o responsável pelo incêndio – que confessou o crime – foi detido e liberado no dia 30, por não ter sido preso em flagrante.

“Esse cara não tem nada a perder, nada impede que ele volte e faça tudo de novo. Estamos sim pensando em contratar um guarda para fazer ronda aqui. Não resolve, mas pelo menos acredito que intimida que esse rapaz ou outros criminosos voltem a agir”, justificou o comerciante José Roberto da Silva, 43, que trabalha há um ano no local e que há dois meses teve o box arrombado.

A funcionária do box que fica exatamente ao lado de um dos três que foram incendiados, Mariane Pinheiro, 20, diz que o clima entre todos os camelôs é de total insegurança e também revolta.

“É um absurdo soltarem o cara. Estamos todos muito chocados com o que aconteceu e também com o fato de terem soltado ele. Nós trabalhamos hoje para pagar as contas amanhã. Foi um prejuízo enorme para quem depende desse trabalho para viver. É realmente revoltante”.

A também camelô Maria da Silva, 55, que foi uma das fundadoras do comércio informal e trabalha há 20 anos no local, reforça o sentimento de revolta por conta da impunidade.

“Eu queria saber apenas uma coisa: se esse cara tivesse ateado fogo na casa de um juiz, por exemplo, se ele estaria solto hoje. Duvido muito. Nós trabalhadores não temos segurança nem justiça. Nada impede desse cidadão voltar. Isso aqui é meu ganha pão. Quantos anos de dedicação dos meus colegas foram queimados, e agora o cara tá aí solto, o que é até um incentivo para que outros se achem no direito de fazer algo parecido já que não dá em nada mesmo”, criticou Maria.

Camelôs recebem doações para reconstruir boxes

Os donos dos três boxes que foram incendiados começaram a reconstrução com o apoio de voluntários que estão ajudando com doações. As paredes foram reerguidas com materiais de construção doados e mão de obra voluntária.

“Foram vários tijolos e sacos de cimento doados, e já nos doaram também a cobertura para os boxes. E oito pessoas trabalharam no fim de semana construindo as paredes, um serviço voluntário. Só temos a agradecer quem se solidarizou conosco”, diz a camelô Simone Dias, 50, que trabalha há 16 anos no local.

Segundo ela, o prejuízo para cada uma das três vítimas foi de aproximadamente R$ 60 mil. A previsão é de que os camelôs retornem ao trabalho dia 15.

“É muito difícil essa situação, nosso trabalho de anos destruído. Mas agradecemos o apoio de quem está nos ajudando, e a única coisa que queremos é justiça. O rapaz que fez isso não pode ficar impune”, finalizou Simone.

Quem quiser ajudar com doações para os camelôs pode fazer contato através do telefone (67) 9971-4928.

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