O caso recente de atropelamento que terminou com a morte de um adolescente de 13 anos, e que teria sido motivado por uma situação banal – o menino teria derrubado cones de sinalização – não é um registro incomum no meio policial.
Segundo o delegado regional de Dourados, Antônio Carlos Videira, a recorrência de registros envolvendo situações banais, e que acabaram mal, é uma realidade.
“Não é exclusividade de Dourados, claro, mas aqui temos muitos casos que envolvem situações de violência doméstica, e discussões no trânsito e por causa de vizinhos com som alto principalmente. Na grande maioria das vezes, tudo começa com uma discussão banal, que poderia ser resolvida dentro do bom senso, e acaba em um fato mais grave com alguém morto, e com alguém preso ou processado”.
O delegado destaca um caso envolvendo uma briga por som alto que terminou em homicídio. Um homem foi executado com seis tiros no Jardim Novo Horizonte, depois que dois homens teriam agredido o filho dele que estaria ouvindo som alto, e ele acabou indo tirar satisfações. O caso foi em março deste ano.
“São atos impensados de ambas as partes, e muitas vezes há a provocação também. Em várias situações como essa, de som alto, a polícia é chamada e vai até o local e pede para baixar o som. E assim que a viatura vai embora o autor ergue o som de novo para provocar. É arriscado, porque ninguém sabe como as pessoas vão reagir. Às vezes a outra parte está em um momento emocional difícil e acaba sendo a gota d’água, o que a faz reagir de uma forma que se ela estivesse normal não faria aquilo”, explicou Videira.
Segundo psicóloga, ‘pressão’ é fator determinante
Qualquer um está sujeito a impulsos agressivos de maior ou menor gravidade, por influência de hereditariedade (50%) e fatores diversos que desenvolvem isso (50%), conforme a psicóloga Elizete Comerlato. Segundo ela, existem as pessoas que tem maior controle e as que não têm. No entanto, as atitudes chamadas ‘intempestivas’ – que podem terminar em um fato grave, como os citados acima – se dão, na maioria das vezes, pela pressão externa.
“Tudo depende da estrutura de personalidade da pessoa, pode acontecer com qualquer um, mas alguns têm mais propensão. Ocorre que a rotina de hoje colabora por consequência de vários fatores que desencadeiam comportamentos menos tolerantes e mais intempestivos, e a pressão do ambiente pode influenciar nisso”, explicou a psicóloga.
Na psicologia, o processo do impulso é caracterizado por quatro etapas: intenção, reflexão, decisão e execução. A pessoa que age impulsivamente, não mede as consequências dos seus atos por pular a segunda etapa, e é preciso atenção com relação a isso.
“A pessoa apenas age, não reflete. O impulsivo queima essa parte. Isso pode ser em uma situação, ou em várias. Na segunda hipótese, inclusive, é preciso ficar atento à necessidade de psicoterapia, que vai reforçar o ego da pessoa e incentivá-la a usar seus recursos cognitivos, ou seja, pensar antes de agir”, finalizou Elizete.
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