
Diante do avanço dos crimes sexuais contra crianças e adolescentes no Brasil, a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira, defendeu o endurecimento da legislação penal, incluindo a prisão perpétua para abusadores.
Os números reforçam a gravidade do cenário. Em 2025, o país registrou mais de 83 mil casos de estupro, uma média de 227 por dia, sendo que mais de 70% das vítimas tinham menos de 14 anos. Já em 2026, até o mês de março, foram contabilizadas mais de 3.500 denúncias de estupro de vulnerável.
“Não estamos falando de estatísticas frias. São crianças com a vida marcada para sempre. Esse tipo de crime exige uma resposta dura e definitiva do Estado”, afirmou Gianni.A manifestação ocorre durante o Maio Laranja, campanha nacional de conscientização e combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, que tem como marco o dia 18 de maio, instituído após o Caso Araceli, símbolo da luta contra esse tipo de violência no país.
Lei municipal amplia proteção em Dourados
Gianni também destacou uma medida concreta já implantada no município: a lei que proíbe a contratação de pessoas condenadas por crimes sexuais contra crianças e adolescentes no serviço público de Dourados.
A legislação foi aprovada no dia 26 de maio de 2025, dentro da programação do Maio Laranja, e representa um avanço no reforço à proteção institucional de crianças e adolescentes.Embora o projeto tenha sido apresentado formalmente pelo vereador Sargento Prates (PL), a proposta é de autoria da vice-prefeita Gianni Nogueira, que articulou sua construção junto ao Legislativo municipal.A lei estabelece que pessoas condenadas por crimes dessa naturezafiquem impedidas de ocupar cargos públicos municipais, não possam atuar em funções que tenham contato com crianças e adolescentes e passem a ser alvo de critérios mais rigorosos de controle.
“Essa lei fecha portas para quem já destruiu vidas. Não podemos permitir que abusadores tenham qualquer acesso ao serviço público, muito menos a ambientes com crianças”, destacou.
Violência cresce e avança no ambiente digital
Além dos crimes presenciais, o crescimento da violência no ambiente digital amplia o alerta. Em 2025, a SaferNet Brasil registrou 63.214 denúncias inéditas de imagens de abuso e exploração sexual infantil, um aumento de 19,3% em relação ao ano anterior.
Relatório do UNICEF, divulgado em março de 2026, aponta que 19% dos adolescentes brasileiros, cerca de 3 milhões, relataram ter sofrido violência sexual facilitada pela tecnologia nos últimos 12 meses.
Especialistas indicam que o uso de inteligência artificial para criação de conteúdos falsos, como deepfakes, tem contribuído para o aumento dos casos.Outro dado preocupante mostra que, em 2024, o Brasil registrou quase 290 mil denúncias de crimes contra crianças, crescimento de 22,6% em relação ao ano anterior.
Quebrar o silêncio
Gianni reforça que a maioria dos abusos ocorre dentro de casa, muitas vezes cometidos por pessoas próximas, o que dificulta a denúncia.
“O silêncio protege o agressor. Precisamos encorajar a denúncia, fortalecer a rede de proteção e garantir que nossas crianças sejam ouvidas”, afirmou.
Para a vice-prefeita, o Maio Laranja deve ir além da conscientização.“Proteger nossas crianças não é uma escolha política, é um dever moral. Dourados está fazendo a sua parte, com leis, ações e coragem para enfrentar esse problema”, concluiu.
Casos de abuso e exploração sexual podem ser denunciados de forma anônima pelo Disque 100.