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Após incêndio em boate de RS, fiscalizações devem aumentar em Dourados, diz Bombeiros

29/01/2013 às 07h28
Por: Redacao Fonte: Dourados News
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Após a tragédia de ontem (27) na boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, as fiscalizações nas casa noturnas de Dourados devem aumentar, de acordo com o Major do Corpo de Bombeiros local, Denny Augusto Ferreira Cavalvante. “Vamos buscar controlar e verificar as condições de cada uma em um período menor”, afirmou.

Em entrevista ao Dourados News na manhã desta segunda-feira, ele pontuou algumas ações que podem ser feitas pelos próprios usuários desses locais como forma de prevenção, e ainda acredita que o maior problema está na superlotação das casas.

“As vezes o promotor e o proprietário da casa noturna possuem todos os alvarás de funcionamento, mas não se importam em colocar apenas a capacidade correta no interior do estabelecimento. Em uma situação de pânico, haverá muita dificuldade das pessoas saírem, além dos aparatos desegurança não atenderem à quantidade de usuários na casa”, disse.

Em agosto do ano passado, o MPE (Ministério Público Estadual), junto com órgãos de segurança, fecharam quatro casas noturnas em Dourados apresentando irregularidades de segurança e por comercialização de bebidas para menores de idade.

Confira a entrevista com o Major Denny Augusto, do 2º Grupamento do Corpo de Bombeiros de Dourados.

Dourados News – Após o acontecido no Rio Grande do Sul, as fiscalizações tendem a se tornar mais frequentes agora?

Major Denny – Sim, já era uma ideia nossa realizar essas fiscalizações mais frequentes. Nosso plano era pelo menos uma por ano, em julho, como a realizada em agosto passado, mas como aconteceu essa fatalidade, vamos tentar abreviar esse tempo, até porque Dourados é uma cidade universitária, semelhante à Santa Maria. Muitas pessoas vindo de outras regiões. Nós acompanhamos a quantidade de festas e shows promovidos, então como estamos no começo de ano letivo, mesmo com a greve na universidade federal (UFGD), vamos tentar antecipar essas fiscalizações.

DN – Como são feitas as vistorias nas casas noturnas em Dourados?

MD – As vistorias são feitas periodicamente e no ano passado, inclusive, foi feito um trabalho em equipe junto com a organismos policiais, prefeitura e o Corpo de Bombeiros. Em consequência disso, muitos estabelecimentos foram notificados e se regularizaram, outras não apresentaram projetos de segurança e não estão mais funcionando. Eu não vou citar nomes porque a situação não é para isso, mas como exemplo do que aconteceu.

DN – E quais eram esses problemas de segurança e quais as casas fechadas?

MD – Não quero citar nomes desses estabelecimentos. O problema era a não apresentação desse projeto de segurança. As boates, casas de shows, acima de 100 metros quadrados eles devem ter um sistema de segurança. Até 900 metros quadrados pode ser feito aqui em Dourados, acima, devem acionar Campo Grande. Então, foi dado um prazo para que fossem apresentados [o projeto], não foram entregues e automaticamente não estão funcionando.

E as medidas de segurança cobradas pelo Corpo de Bombeiros para esses estabelecimentos?

MD – São as saídas e sinalizações de emergência, os extintores de incêndio, dependendo da metragem, precisa ainda de rede de chuveiro automática, detector de fumaça, variando de caso a caso. Mas, o mais importante é o dimensionamento das saídas de emergência, como no caso de Santa Maria, porque elas são feitas de acordo com a população que frequenta essas casas.

Quais as dicas que o Corpo de Bombeiros passa para um caso de pânico como esse?

MD – O que sugiro é que o cidadão que frequenta esses locais, quando chegar à casa, procure conhecer onde ele está. Conhecer onde está a saída de emergência, observar a iluminação, os meios de locomoção dentro do estabelecimento e mapear um trajeto onde ele possa sair. Quando essas pessoas se interessarem em conhecer a segurança da casa e houver uma situação como essa, já saberão como agir. No caso específico de Santa Maria, percebi que muitos foram ao banheiro. O banheiro não é área de escape, as pessoas vão ficar confinadas. E como aconteceu durante a madrugada, o nível de embriaguez das pessoas deve ter atrapalhado um pouco. O que pedimos também é um controle sobre o álcool, evitar drogas e tomar essas precauções.

E como o frequentador pode ajudar na fiscalização?

MD – É uma questão importante, por isso pedimos que caso o frequentador dessas casas verifiquem a falta de sinalização de emergência, extintores vencidos ou a ausência deles, se a saída de emergência possa não atender a quantidade de pessoas que estão lá dentro... Que eles façam uma denúncia para nós, sem citar nomes, dizendo as irregularidades, que iremos averiguar.

 
Durante a operação no ano passado, um cadeado foi encontrado na porta de segurança de uma casa noturna - Foto: Osvaldo Duarte

Em relação às saídas de emergência, como elas devem ficar no momento da festa?

MD – Devem ficar totalmente liberadas, não podem ficar fechadas de maneira alguma. Inclusive, no ano passado havia uma casa de shows que estava com o cadeado na saída de emergência, e nós obrigamos a retirada do objeto. É obrigatório elas possuírem uma barra anti-pânico, já que normalmente o cidadão bate naquela porta e ela abre automaticamente.

Qual o tamanho e a quantidade ideal para essas portas?

MD - Elas são dimensionadas de acordo com a população que frequenta a casa e varia com o tamanho do local. Pode ter dois, três metros. A quantidade também depende do tamanho da casa e é feita através do projeto de segurança. É o que falei, o cidadão pode não ter o conhecimento técnico, mas observando a dimensão do lugar, ele pode questionar as opções de saída.

E o Corpo de Bombeiros de Dourados, está preparado para uma situação como a de Santa Maria?

MD – O Corpo de Bombeiros de Dourados trabalha com os meios que ele possui, lógico, ele tem o conhecimento técnico e o adquirido e precisa estar preparado para todas as ocasiões, só que uma fatalidade deste tamanho assusta qualquer município de qualquer lugar do país. Mas, para as situações locais, o Corpo de Bombeiros está preparado, até porque trabalhamos muito nesta prevenção, temos metas para a realização de vistorias solicitadas, em no máximo 15 dias úteis. Então, tomamos todas as preocupações para quando precisar agir estarmos preparados. Até porque temos uma escala de sobreaviso e material de combate a incêndio. E claro, temos cooperação de outros organismos de segurança em uma tragédia como a que aconteceu no Rio Grande do Sul.

DN - E qual a maior preocupação por parte do Corpo de Bombeiros?

MD – Nos preocupamos muito com a quantidade de pessoas que estão dentro do local. Às vezes, existem mais usuários da casa que o permitido, então eles precisam estar instruídos. Se o extintor, saída de emergência e outros itens de segurança são para atender 500 pessoas e o local estiver com mais gente, não vão sair pelas portas.

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