A Lei Estadual nº 2.929 proíbe o trote aos calouros de universidades públicas e particulares em Mato Grosso do Sul. Em Dourados, a UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) também veda a prática através da portaria institucional n° 083, estabelecida em 2007. No dia 10 de janeiro o MPF (Ministério Público Federal) recomendou às dez maiores instituições do Estado que impeçam o trote. Apesar disso, a prática foi flagrada durante a matrícula dos 1,4 mil novos alunos da UFGD, que começou ontem e termina na próxima sexta-feira.
As ‘brincadeiras’ com os calouros, flagrada no campus da Faculdade de Direito e Relações Internacionais da UFGD, teve pintura, placas com apelidos, e muita bebida. A mobilização em frente ao prédio da universidade foi organizada por veteranos. Para a caloura do curso de Zootecnia, Gisele Vasques, 24, a pressão para que os calouros participem do trote é grande. “Eles já abordam a gente aqui no portão, não tem como escapar. Fiquei toda pintada de tinta, mas pelo menos foi só isso, levei na brincadeira”, disse.
O estudante do curso de Agronomia e coordenador do DCE (Diretório Central Estudantil) da UFGD, Josué de Brito Quadros, 24, defende que existem formas de receber os novos alunos e integrá-los a universidade sem que ninguém seja submetido a humilhações públicas. “O DCE é totalmente contra a forma como a recepção acontece. O trote, mesmo que em tom de brincadeira, não acrescenta em nada. É uma pressão social que impõe a participação ao calouro”, afirma.
A veterana do curso de Zootecnia, Carolina Marques Costa, 18, diz que as brincadeiras são feitas apenas com quem se propõe a participar, e que ninguém é obrigado a participar de qualquer atividade. “Entrar na federal é o que todo mundo quer, é uma vez na vida. Fazemos essas brincadeiras porque a galera curte, é uma recepção. Bebe quem quer, se deixa pintar quem quer, ninguém é obrigado a nada”, garante. A estudante do segundo ano diz ainda que não considera as brincadeiras como trote. “Isso aqui não é trote, estamos apenas dando boas vindas, recebendo a galera nova. Ninguém é agredido ou obrigado a qualquer coisa que não tenha vontade”.
Segundo a pró-reitora de assuntos comunitários e estudantis da UFGD, Ceres Moraes, a universidade cumpre com sua obrigação de conscientizar e coibir o trote universitário. No entanto, não há como impedir o que acontece fora dos campus. “Dentro da universidade, dependendo da gravidade do que for denunciado, iremos tomar providências que podem até gerar a expulsão do veterano. Mas fora da Instituição a vítima deve procurar as autoridades policiais e registrar a ocorrência”, explica.
Conforme o MPF, as universidades que não seguirem a recomendação para coibir a prática do trote universitário podem ter ações ajuizadas contra seus administradores.
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