
Em Dourados, 21 crianças indígenas que estão “envelhecendo” nos abrigos serão retiradas dessas entidades a partir de setembro deste ano. A informação é do coordenador da Comissão de Apoio à Criança e ao Adolescente Indígena em Situação de Vulnerabilidade, Diogenes Cariaga.
Segundo ele, estes indiozinhos que estavam em situação de vulnerabilidade estão tendo o processo acelerado de incorporação dentro da comunidade indígena. “Estamos fazendo a mediação para que estas crianças e adolescentes sejam reintegradas no convívio de um familiar ou parentes que queiram adotar dentro da reserva”, destaca.
De acordo com Diogenes, a comunidade ainda resiste a proposta do judiciário das crianças serem encaminhadas para o Cadastro Nacional de Adoção. “Ainda se teme que estas crianças percam a identidade cultural. No entanto, crianças que já estão há mais de cinco anos nos abrigos, estão mais acostumadas ao modo de vida urbana. Talvez seja um choque para elas voltarem para a aldeia. Tudo deve ser analisado”, destaca.
Diogenas disse que além de chamar os parentes dessas crianças para assumirem esta responsabilidade, uma lista de 35 famílias foi montada. Essas pessoas vão cuidar das crianças em situação de vulnerabilidade evitando assim que os indiozinhos deixem as aldeias. “São as famílias acolhedoras que atuarão de modo temporário até que um lar seja destinado para estas crianças dentro da aldeia”, conta.
A discussão da adoção das crianças indígenas começou no final do ano passado. Se por um lado órgãos de proteção ao índio defendem que as crianças devem ser adotadas por lideranças da comunidade indígena, por outro a Promotora da Infância e da Juventude, Fabrícia de Lima, acredita que na ausência de famílias indígenas interessadas, as crianças devem ser encaminhadas para o cadastro Nacional de Adoção, e conseguirem portanto ser adotadas por não-índios.
A medida tem a finalidade de destinar um lar para as crianças que, segundo a Promotoria, estavam, até então, praticamente abandonadas pela comunidade indígena, restando apenas os abrigos como alternativa.
“A lei prevê que as crianças devem ficar num prazo máximo de até dois anos nos abrigos e infelizmente, no caso das indígenas isto não acontece porque elas estão passando muito tempo, até mesmo se tornando adultas nesses lares. O problema é que estas crianças, como qualquer outra, têm o direito de ter uma referência de pai e mãe e o que de fato é uma família”, disse Fabrícia.
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