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Golpes da lista e do boleto se alastram no comércio, alerta delegado

Degerone calcula R$ 30 mil de prejuízos só nas 4 primeiras vítimas que registraram Boletim de Ocorrência

16/07/2013 às 13h00
Por: Redacao Fonte: Dourados Agora
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Golpes da lista e dos boletos bancários estão voltando com força total no comércio de Dourados e causando prejuízos. De acordo com o delegado titular da Polícia Civil, Lupérsio Degerone, já nos primeiros 4 golpes em que se registrou boletim de ocorrência, foram calculados R$ 30 mil de prejuízos. Em um dos crimes uma empresária perdeu sozinha R$ 20 mil.

De acordo com o delegado Lupérsio, o que chama a atenção neste golpe é que ele é “legalizado” e o empresário que “cair”, não conseguirá se livrar da dívida facilmente. Ele conta como ocorre o crime em uma das suas versões. “De acordo com o relato das vítimas, uma pessoa entra em contato com um atendente da empresa da vítima por telefone. O golpista diz que é de uma renomada empresa de lista telefônica oficial impressa e que precisa que o funcionário receba o documento que vai por fax, assine e devolva para o solicitante em rápido espaço de tempo. A alegação do golpista para a pressa é que a empresa da vítima poderá ficar de fora da publicação nesta lista oficial de publicidade porque é o último dia de assinar a autorização. “O empresário acha que está contratando uma empresa, quando na verdade contrata outro serviço. Como não leu para assinar, o empresário não viu em pequenas cláusulas de que na verdade o serviço contratado é na internet e a publicidade vai parar em um site desconhecido em outro estado e que nada oferece de retorno para o empresário contratante”, destaca.

Problema que chama a atenção é que uma das cláusulas do contrato dá poderes plenos para funcionários da vítima contratarem o serviço. “Quando o atendente dá um visto no documento com o nome dele e devolve por fax, está dando direitos para esta empresa fazer a cobrança do serviço contratado, mesmo que não seja aquele que o empresário acreditou que fosse. Sob as pressões que eles fazem o atendente da loja acaba assinando e mandando de volta o documento. Pronto caiu no golpe”, destaca.

Outra questão é que para cancelar o documento, o empresário entra em uma “bola de neve”. “É multa de cartório, taxa de documentação, taxas de despacho e até o pagamento do office boy que vai levar o documento ao cartório o empresário vítima do golpe precisará pagar. As taxas definitivamente não terão fim”, alerta.

Segundo o delegado, o ponto crítico desse golpe é que ele é “legalizado”. “A empresa existe, é legalmente estabelecida e constituída. Em contato recente com ela, nós recebemos a alegação de que todos os contratos estão assinados o que se presume que os empresários leram o documento, e não sendo analfabetos, estão cientes dos serviços prestados”, destaca.

Lupersio diz que vem tentando coletar provas de que a empresa é golpista. A fundamentação dele está no número de depoimentos, todos informando que não leram o documento antes de assinar. “As versões das vítimas pode caracterizar o golpe. Também vamos denunciar que as vítimas nunca tiveram nenhum contato antes do primeiro telefonema de 1 minuto, nem por e-mail e que nunca demonstraram interesse no serviço”, diz, orientando que os empresários vítimas do golpe informe a Polícia Civil.

Uma empresária que preferiu não se identificar entrou em contato com a redação informando que recebeu o contrato com clausula que informa pagamento de 12 parcelas de R$ 350 referentes ao serviço de lista que não contratou. Relatou que entraram em contato com um funcionário dela e pegaram o nome dele e pediram para que ele assinasse e devolvesse para a empresa. “Eles fazem uma verdadeira tortura psicológica e ai você fala que o seu funcionário não é autorizado a contratar nada e na clausula do contrato diz que ele é. Como há dois anos eu quase paguei um boleto de R$ 2 mil de uma divida falsa eu já estava esperta dessa vez. Espero que os demais comerciantes não caiam nesse golpe”, alerta.

ACED

O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Dourados (ACED), Antônio Nogueira diz que a entidade vem alertando todas as empresas associadas ou não para que fiquem atentas. “Empresas de outros estados oferecem anúncios publicitários (lista telefônica) por telefone ou fax, oferecendo-os como forma de apreciação e gratuitamente, posteriormente a empresa envia a cobrança, mesmo não tendo sido contratada. Outro pagamento indevido é de um boleto que uma Associação a nível nacional manda para os empresários e que não é necessário pagar. Ela também não tem nenhum vínculo com a Aced”, alerta.

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