Médicos e acadêmicos de medicina de Dourados realizam nesta quarta-feira (03), a partir das 18h na Praça Antonio João, um novo manifesto contra a contratação de médicos estrangeiros sem a revalidação dos diplomas. Eles também protestam sobre a falta de estrutura para trabalhar na saúde pública. A categoria alega que o principal problema no país é o baixo investimento estatal e não a falta de profissionais.
De acordo com Jorge Luiz Baldasso, delegado do sindicato dos médicos em Dourados, o manifesto não é contra a vinda dos 'estrangeiros' e sim a validação de seus diplomas para que possam exercer legalmente a profissão no país.
“Queremos conscientizar a população de que não se pode aceitar a vinda desses médicos que em alguns países, não possuem diploma, queremos que seja comprovada a qualificação e a diplomação desse profissional, pois de ‘charlatões’ o Brasil já está cheio” disse o representante do sindicato.
Baldasso acrescentou dizendo que Dourados possui atualmente, em torno de 500 profissionais, além dos médicos residentes que auxiliam nos atendimentos, mas segundo ele, não faltam profissionais e sim estrutura para trabalhar.
“Existe um equivoco, sobre a vinda de mais médicos, pois mesmo aumentando a mão de obra, faltará materiais, ou seja, se hoje falta UTI [Unidade de Tratamento Intensivo], leitos, medicamentos e hospitais, com a contratação desses profissionais esse quadro estrutural não mudará, pois como se trabalha sem equipamentos e medicamentos” enfatizou o médico.
POPULAÇÃO
O Dourados News saiu às ruas para questionar alguns cidadãos sobre a possibilidade da contratação desses médicos estrangeiros. E parte deles se mostram indecisos contra a vinda desses profissionais.
É o caso do comerciante José Aparecido Lopes, de 51 anos, que disse não entender a necessidade, se o maior problema é a estrutura.
“É fato que existe a superlotação nos hospitais e postos e que muitos médicos não conseguem atender a demanda, porém pergunto se será só a falta de médico?” observou.
Segundo a aposentada Antônia Lucia Martins, de 68 anos, a saúde pública precisa ser levada a sério, pois o que falta são hospitais qualificados para o atendimento.
“Como o médico vai atender bem um paciente se não possui um aparelho de raios-X ou um eletrocardiograma, ele fica impotente, e mais médico não irá resolver” disse.
Já para a dona de casa Sueli Peres, de 43 anos, a vinda desses profissionais ajudará muitos pacientes que precisam esperar horas em postos e hospitais por um atendimento simples.
“Hoje para comprar um antibiótico, para tratar garganta inflamada, por exemplo, só pode com prescrição médica, e isso causa enormes filas e com a vinda desses profissionais desafogará os postos e hospitais”, defendeu.
O Ministério da Saúde divulgou no dia 25 de junho, que criará 35 mil vagas para médicos no SUS (Sistema Único de Saúde) até 2015. De acordo com a pasta, serão contratados médicos que se formaram no exterior para ocuparem os postos que não foram preenchidos por médicos com diplomas brasileiros.
O programa está sendo estruturado para atrair médicos brasileiros e estrangeiros para atuar no interior do Brasil e vai oferecer salário de R$ 10 mil, segundo o Ministério da Saúde.
O plano do governo é criar programas de autorização especial para que os profissionais que se formaram fora do país só possam atuar na atenção básica, nos municípios do interior e nas periferias das grandes cidades.
AUDIÊNCIA
Dia 8 de julho, às 19h, no plenário da Câmara Municipal de Dourados, acontece uma audiência pública sobre a contratação de médicos estrangeiros sem diploma e terá a participação do Deputado Federal Luiz Henrique Mandetta, que é ex-secretário Municipal de Saúde da Prefeitura de Campo Grande.
Mín. 17° Máx. 29°
