“Que seja eterno enquanto dure o amor”, já dizia o poeta. Foi assim que Eduardo e Suki viveram a história de adolescentes 18 anos após se conhecerem. O amor que nasceu nas trocas de cartas quando ela ainda tinha 13 anos e ele, 15, nunca acabou. O destino os levou para caminhos diferentes. Ambos se casaram com outras pessoas, viveram em mundos diferentes um do outro. Mas, a história recém tinha começado.
Suki Ozake, 47 anos, conta que conheceu Eduardo Antônio Leme Cabral, 50 anos, por uma amiga que se correspondia com o irmão dele. “Você se lembra da revista Contigo. No final tinha endereços para trocarmos cartas com pessoas de outros lugares. Como eu morava em Manaus, queria conhecer outras coisas e comecei a me corresponder com ele”. Nas trocas de palavras, de histórias, nasceu o sentimento, e logo trocavam juras de amor.
Foram dois anos, de te amo pra cá, te amo pra lá, até Suki completar 15 anos, e em vez do baile de debutante escolheu viajar. “Eu já queria conhecer o mundo, e o Eduardo é claro”, conta. Ela arrumou as malas e partiu para o Rio de Janeiro e São Paulo, onde tinha parentes. Ligou para o Eduardo, avisando que estava em São Paulo e ele foi correndo ver a amada. O encontro foi vigiado. Primos e tios estavam sempre pertos.
Depois dos dias mais próximos, Suki voltou para Manaus e eles continuaram se escrevendo, se falando por telefone, por fax, por muitos anos. Até ela se casar e mudar de país. “Até uns 4 meses antes de eu me casar, ainda nos falávamos. Depois fui morar na França e perdemos o contato.
Eduardo continuou no interior paulista. Também se casou, teve dois filhos, assim como Suki. Até que em um dia de julho de 1996 se separaram. A separação aconteceu na mesma data. Ela na França e ele no Brasil. Mas, até então eles não sabiam disso.
“Seis meses depois que me separei fui para a casa da minha avó, que havia falecido, e meus primos me perguntaram se eu queria de volta as cartas que eu trocava com a Suki na adolescência. Peguei as cartas, as fitas cassetes gravadas e fui para casa ouvindo a voz dela. Quando cheguei em casa liguei para a mãe dela. Para minha surpresa, ela me contou que ela estava separada, morando na França com as crianças. Peguei o número do telefone e liguei. Por causa do fuso, nem me atentei na hora, ela estava dormindo e atendeu o telefone brava. Só disse: me escuta que não vai se arrepender. Quando me identifiquei ela nem acreditou”.
Dois meses depois Eduardo vendeu o carro, comprou as passagens e foi para a França. “Nossa senti tudo como se fosse uma garota de 13 anos de novo. O frio na barriga. A ansiedade”, diz Suki. Em Paris, a cidade do amor, viveram tudo que não haviam vivido antes. A paixão brotou novamente e já não podiam ficar separados. Trocaram mais cartas, e depois de 144 cartas e 29 postais, trocados ao longo de 18 anos foi a vez dela largar tudo e voltar para o Brasil.

Decidiram se casar. Os primeiros anos do casamento foram de muita luta. Além dos filhos dela, eles tiveram mais dois, em seguida os dele vieram morar com o casal. “Éramos oito. Às vezes, com os amigos das crianças, tinha 12, 15 pessoas em casa no fim de semana. Não foi fácil cuidarmos de uma família deste tamanho e continuar juntos”, diz Suki. Mas, essa é outra história.
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