Indígenas das aldeias Bororó e Jaguapiru bloquearam por 30 minutos na manhã desta terça-feira (4) a MS-156 – rodovia que liga Dourados a Itaporã. A decisão foi tomada ontem por lideranças e o objetivo foi prestar solidariedade aos envolvidos no conflito envolvendo índios e policiais no dia 30 de maio, na fazenda Buriti, em Sidrolândia e que resultou na morte de Oziel Gabriel. Os manifestantes também pedem por mais espaço dentro da Reserva do município.
“Queremos com essa movimentação prestar apoio aos ‘parentes’ de Sidrolândia e também reivindicar mais espaço para a nossa comunidade. Atualmente somos 14 mil vivendo numa área de pouco mais de 3,4 mil hectares”, comentou Vilmar Martins Machado, uma das lideranças que estavam no local.
Segundo ele, em média 500 crianças nascem todos os anos nas aldeias. “O que nos deixa preocupados, é a demora para o problema [da terra] ser resolvido. Enquanto isso, todos os anos, centenas de crianças vão nascendo e o espaço acabando”, comentou.
Vilmar, também não descarta outras manifestações nos próximos dias. Conforme o indígena, tudo dependerá das negociações de lideranças estaduais com representantes do Governo Federal.
“Hoje realizamos o ato de forma pacífica, mais para chamar a atenção dos nossos governantes, mas o problema vem se arrastando há anos e as pessoas estão morrendo, por isso precisamos de uma solução o mais rápido possível”.
Outro que se mostrou preocupado com a violência foi o vereador indígena Aguillera de Souza. “Temos que buscar uma forma de acabar com esses conflitos. Acho que o Estado deve procurar um jeito de acabar com isso. Eu vejo que existe boa vontade entre proprietários de terra e índios. Porém, o mesmo não acontece com o governo”, acrescentou o legislador.
Na opinião dele, se não houver empenho federal, mais pessoas morrerão nos conflitos. “Estive recentemente em Sidrolândia e pude constatar várias crianças queimadas por balas de borracha, sem contar os mortos. O Governo Federal precisa se empenhar mais para acabarmos com esse conflito”, resumiu.
Durante a manifestação, os indígenas realizaram o Urayy’Já [Dança do Relâmpago] e outras atividades. Segundo lideranças, as movimentações servem para chamar os guerreiros para defender e se preparar para a guerra.
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