Quando uma pessoa presencia o resgate de um bombeiro, geralmente sente admiração por quem arrisca a vida para salvar o próximo. Mas é um sentimento que raramente se estende a uma reflexão de como é dura a rotina destes profissionais. No bairro Guanandi, por exemplo, há pelo menos cinco meses a categoria conta que está sem viaturas para atender a população, algo que já fez estes profissionais saírem para fazer o socorro a pé ou até mesmo com o próprio carro.
Neste período, a população do Guanandi e entorno fez até um protesto ‘quase anônimo’ e um abaixo-assinado pedindo providências. Eles querem uma estrutura melhor e principalmente a continuidade do quartel na região, já que o boato é de que a sede do bairro seria desativada e os bombeiros levados para o quartel central.
”Desde que tivemos a determinação de economia de 20%, estamos quase todos os dias sem viaturas na unidade do Guanandi. No Ano Novo, por exemplo, fomos nós bombeiros que consertamos uma viatura que tinha ‘pifado’ para atender a população. O acelerador estava com problema por falta de uma mola e nós compramos e resolvemos o problema”, afirma um bombeiro que prefere não se identificar.
Ele, bem como os colegas do quartel do Guanandi, atendem ao menos 100 mil moradores do bairro e também do Jardim Leblon, Coophavila, União, Caiobá, Tijuca, Parque do Sol e Vila Jacy, entre outros. “Isso sem falar na enorme quantidade de acidentes que ocorrem no cruzamento da Manoel da Costa Lima com a Norte Sul. São nestas ocasiões que vamos a pé ou com o nosso carro dependendo da gravidade”, relata outro bombeiro da corporação.
Midiamax flagrou dezenas de veículos no conserto em galpão atrás da avenida Guaicurus
A reportagem do Midiamax foi ao local onde são entregues as viaturas para o conserto. São dezenas estacionadas em um galpão de fundo para a avenida Guaicurus, além de veículos da Polícia Militar e Detran/MS (Departamento Estadual de Trânsito). “São problemas no sistema de injeção eletrônica, giroflex e outros crônicos. Acontece que toda vez que chega o orçamento o governo não libera a verba e elas ficam lá paradas”, comenta um bombeiro que semanalmente ‘visita’ os carros.
O problema sensibiliza e virou até pauta diária de uma rádio comunitária: a Maracanã FM. Segundo o diretor, Ozias Martins, desde quando os bombeiros se alojaram naquele quartel, eles têm essa dificuldade com as viaturas. “Um dos bairros mais antigos de Campo Grande, o Guanandi enfrenta não só este problema como também a falta de um posto policial. Você vai andar por aqui e só vai ver a guarita depredada ali”, aponta Martins.
Radialista pede providências diárias na FM Comunitária e diz que já presenciou socorro a pé dos bombeiros
Já o radialista Ivanor de Oliveira Brites, 38 anos, que ‘abraçou a causa’, conta que já viu os bombeiros saírem correndo do quartel para atender uma vítima que havia caído com o carro dentro do córrego.
“Eles nem esperaram as viaturas de outro quartel chegarem, simplesmente saíram correndo até a avenida com as ferramentas na mão. Estes sim se preocupam com a população e não os superiores que sempre arranjam desculpas para proporcionar uma estrutura adequada. E nós não desistimos, vamos continuar cobrando”, comenta ao Midiamax o radialista.
Conhecida como a ‘vó dos bombeiros’, D. Amélia Manoelita, 68 anos, que há 36 anos mora no Guanandi e convive com os militares, implora a resolução do impasse. “Não vamos deixar eles saírem daqui e, se precisar, fazemos novos protestos”, diz a aposentada que por diversas vezes contou com a ajuda para chegar bem ao hospital.
Comandante garante que todas as unidades possuem viaturas e que são feitas manutenções constantes
Questionado a respeito do problema, o comandante do Corpo de Bombeiros, O comandante-geral do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul, coronel Ociel Ortiz Elias, explicou que cada unidade possui viaturas de resgate, combate a enchente e incêndio. “O conserto pode demorar um pouco mais que o previsto e ocasionar na falta de veículos, mas fazemos manutenções constantes”, garantiu o comandante.
| Cleber Gellio |
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| Quartel que estaria sem viaturas atende ao menos 100 mil pessoas do Guanandi e entorno |
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