O ex-diretor do Hospital Universitário de Campo Grande, médico cirurgião cardiovascular José Carlos Dorsa, prestou depoimento na tarde de quarta-feira na Câmara Municipal, aos membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada para apurar supostas irregularidades naquela unidade hospitalar e no Hospital do Câncer Dr. Alfredo Abrão.
Dorsa foi ouvido pelos vereadores durante quase três horas, quando se defendeu das acusações de ter prejudicado o setor de Oncologia do HU, não quis comentar as gravações divulgadas pela TV Globo e afirmou que a emissora obteve as imagens de forma irregular e antes das investigações da Polícia Federal.
Durante a oitiva, Dorsa explicou aos vereadores da CPI que assumiu a direção do HBU em 2009 e que servidor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) há 20 anos. Ele explicou que tomou a iniciativa de se demitir para evitar que seu envolvimento nas investigações atrapalhasse o trabalho da unidade hospitalar, que conta com 1.080 servidores.
O ex-diretor do HU declarou em depoimento que o hospital tem como um dos maiores problemas da atualidade a defasagem de funcionários, falta de infraestrutura e sucateamento de seu parque tecnológico e destaca que, quando assumiu a direção, o serviço de radioterapia já não funcionava desde 2005.
“Não tenho certeza dessa data, mas sei que o setor foi desativado por determinação da Vigilância Sanitária, pois não havia segurança para a utilização da radioterapia e o serviço somente retornou depois de três anos após habilitado ao atendimento dos pacientes”, explicou.
Segundo ele, a máquina de Cobalto foi adquirida, mas não havia local adequado às normas de vigilância sanitária para coloca-la em funcionamento, além de da falta de radioterapeuta para operar o equipamento. “Tivemos que reestruturar o hospital, mesmo com todas as dificuldades de liberação de recursos, já que o Hospital Universitário integra a UFMS e é vinculado à universidade e sem um radioterapeuta para operar a máquina, a única saída foi fazer uma contratação simplificada, que não é o correto, para que o atendimento aos pacientes com câncer fosse disponibilizado. Quando sai no dia 29 de abril a radioterapia já estava funcionando há um mês”, explicou Dorsa.
A falta de funcionamento do setor da radioterapia do HU era a principal acusação feita a Dorsa durante sua gestão como diretor da unidade hospitalar e sua oitiva foi aprovada pelos membros da CPI, Flávio César Mendes de Oliveira (PT do B), presidente; Carla Stephanini (PMDB); Ademar Vieira Júnior, o Coringa (PSC); Marcos Alex Azevedo de Melo, o Alex do PT (PT) e Derly dos Reis de Oliveira, o Cazuza (PP).
Flávio César confirmou que vai solicitar ao Ministério Público Estadual (MPE), que efetuou a denúncia contra os ex-diretores do HU e do Hospital do Câncer, a cópia completa das gravações com Dorsa para melhor análise de seu conteúdo e apresentar à relatoria. Dorsa foi questionado várias vezes pelos vereadores e respondeu com clareza, reafirmando ser inocente das acusações que lhe foram imputadas sobre a questão da radiologia.
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