A Associação Beneficente de Campo Grande (ABCG) reassumiu ontem a direção da Santa Casa, maior hospital do Estado, com 650 leitos e que presta atendimento a cerca de 1.200 pessoas diariamente, entre pacientes internados, atendimentos de urgência e emergência, consultas, exames e procedimentos médicos.
Pela manhã, o presidente da entidade, Wilson Levi Teslenco, concedeu uma entrevista coletiva para informar a situação em que sua diretoria reassume a direção do hospital, com o compromisso de manter o atendimento à população, solucionar os problemas das dívidas e quitar os débitos tributários para que a Santa Casa volte a receber repasses federais.
Do total da dívida em contas a pagar, a Santa Casa deve R$ 15 milhões em impostos retidos na fonte; R$ 19 milhões em empréstimos; R$ 30,5 milhões a fornecedores, por aquisição de materiais, medicamentos, próteses e serviços; R$ 8,2 milhões de ações civis julgadas e, para provisão do 13º salário, de R$ 5,4 milhões, totalizando R$ 78,3 milhões a curto prazo.
Teslenco explicou que, entre as dívidas parceladas a médio e longo prazo, estão dívidas de consumo de energia elétrica, de R$ 16,5 milhões; financiamentos de R$ 15,1 milhões e parcelamentos diversos, de R$ 1,8 milhão, totalizando R$ 33,6 milhões.
O presidente da ABCG apresentou também uma planilha de controle financeiro dos meses de janeiro a abril deste ano, em que detalha as receitas, provenientes de repasses do SUS, de convênios diversos e de estágio, particulares, plano de saúde, com a média de R$ 17 milhões e, das despesas, a média de R$ 20,6 milhões, resultando em um déficit de R$ 3,5 milhões mensais, com exceção do mês de janeiro, que chegou a R$ 5 milhões por causa do 13º salário dos funcionários.
De acordo com Teslenco, quando as juntas Interventora e Administrativa assumiram a direção da Santa Casa, em 2004, a dívida do hospital era de R$ 37 milhões e, agora, quando a diretoria da ACBG reassume, subiu para R$ 111,9 milhões, que corresponde a três vezes mais ao saldo negativo deixado pela entidade naquele momento.
Para solucionar o problema das dívidas de curto prazo e recolocar a Santa Casa entre as entidades filantrópicas que recebem recursos do Sistema Único de Saúde (SUS), a diretoria da ABCG está negociando com o Governo do Estado um empréstimo emergencial de R$ 60 milhões em curto prazo e solicitando o aumento dos repasses contratuais da Prefeitura e do Estado em até R$ 5 milhões, para cobrir o déficit mensal e garantir atendimento aos pacientes.
A maior preocupação da diretoria da ABCG é para com as dívidas tributárias, que se referem a descontos da folha de pagamento, de valores do Imposto de Renda Retido na Fonte e INSS, que não foram repassados aos órgãos federais nos últimos seis meses, hoje na ordem de R$ 15.045.898,31, porque a Certidão Negativa de Débitos Federais venceu em 8 de maio passado. “Não sabemos ser vamos receber o repasse em junho, referente ao mês de maio por causa da inadimplência junto ao Governo Federal e para resolver o problema, em 30 a 60 dias, precisamos agilizar o empréstimo, que pode ser avalizado pelo Governo do Estado, que deve entrar como contrapartida e quitar esse financiamento”, declarou Teslenco.
O presidente da ABCG confirmou que a diretoria está negociando com os governos estadual e municipal para resolver o problema, bem como deverá apresentar ao Ministério Público Estadual, autor da ação de intervenção, as planilhas com as dívidas deixadas pelas juntas, solicitando providências, como que os interventores assumam as dívidas. “Nossa diretoria confia na responsabilidade do prefeito e do governador na busca de solução para o problema e para que possamos dar continuidade ao atendimento aos pacientes na Santa Casa”, destacou.
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