Conflitos de terras envolvendo índios e fazendeiros em Mato Grosso do Sul leva Ministério da Justiça a manter a Força Nacional no Estado por mais 120 dias. Além da permanência, a Força Nacional irá agora dar suporte a Fundação Nacional do Índio (Funai), na Operação Guarani, para garantirá a segurança nas áreas em disputa judicial.
A Força Nacional vai permanecer no reforço a segurança das comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul por mais 120 dias. A determinação partiu do Ministério da Justiça devido ao clima de intranqüilidade no Estado que tem registrado seguidos conflitos envolvendo índios e fazendeiros. Os processos de demarcação de terras se arrastam na justiça e a situação só se agrava.
Em Mato Grosso do Sul a Força Nacional vai permanecer em apoio à Funai na Operação Guarani que visa trazer segurança para os índios principalmente nas áreas em disputa judicial. Hoje no Estado existem pelo menos 38 terras reivindicadas pelos Guarani-Kaiowa. Muitos deles vivem em acampamentos na região sul do estado onde o clima é de extrema tensão.
Das áreas em disputa judicial em que o problema é mais crítico estão propriedades rurais localizadas na região de fronteira com o Paraguai, onde os índios mantém as ocupações. E é justamente esta região o alvo da Operação Guarani. As equipes da Força Nacional vão realizar rondas constantes com uma atenção maior aos locais onde já ocorreram confrontos e até assassinatos de índios e produtores rurais.
Para o coordenador regional da Funai de Ponta Porã, Silvio Raimundo da Silva, a permanência da Força Nacional no estado e com uma ação agora mais direcionada a solução deste impasse, traz uma segurança maior tanto para os índios quanto para os fazendeiros.
“Eles estão ali exatamente para prevenir, que casos de violência não aconteçam, nós temos um trabalho conjunto entre Funai, Força Nacional e Polícia Federal, para que esse trabalho articulado impeça situações de violência, como já tivemos em ocasiões passadas na região”, diz Silvio Raimundo.
A Força Nacional foi direcionada ao reforço da segurança nas áreas indígenas pelo Ministério da Justiça em 2010, de lá pra cá as equipes têm dado suporte as demais policiais por meio de ações ostensivas em aldeias e acampamentos. Em uma área nos fundos da aldeia Bororo em Dourados, uma das mais pobres e violentas de Mato Grosso do Sul, vivem atualmente 24 famílias Guarani-Kaiowa. Elas vieram de outras aldeias do Estado e aguardam a demarcação em condições precárias: debaixo de barracos de lona e sem água tratada.
“Um dia nós temos mistura, outro dia não tem, precisamos criar galinha, criar porco, criar alguns animais, para poder sustentar daquilo que plantamos. Nós não queremos terra para plantar e ter dinheiro, mas sim para morar e sustentar nossos filhos, porque nosso povo indígena, depende de muitas plantas que nós plantamos”, diz Gilda Riquelme Lopes, líder indígena.
Em visita à MS, no começo desta semana a presidente Dilma Rousseff, pode constatar a gravidade dos conflitos de terras envolvendo índios e fazendeiros, produtores de vários municípios do Estado, onde devem ocorrer demarcações, protestaram pedindo a garantia do direito a terra produtiva e a paz no campo. (Com colaboração Lia Nogueira, TV MS Record)
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