O suposto desvio de medicamentos que resultou na Operação Tarja Preta, desencadeada hoje pela manhã em Naviraí pela Polícia Federal e CGU (Controladoria Geral da União), já havia sido alvo de ação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) no ano passado.
No dia 31 de março de 2015, os policiais cumpriram cinco mandados de busca e apreensão de documentos visando acabar com irregularidades na saúde pública no município na chamada ‘Operação Remédio Controlado’, relembre aqui.
De acordo com investigado na época, o esquema apontava para um suposto problema na distribuição de medicamentos na farmácia pública do município e conforme divulgado pelo MPE (Ministério Público Estadual), a população conseguia acesso aos medicamentos através de um "curral político", ou seja, eram liberados através de contatos do paciente com algum político local.
Se não percorresse esse caminho, o interessado tinha que ingressar com ação judicial.
No dia do fato, a assessoria da prefeitura havia informado que não existiam irregularidades e que todos os medicamentos são adquiridos através de processo licitatório e distribuídos dentro dos critérios considerados ‘normais’.
Tarja Preta
Deflagrada hoje, a Operação Tarja Preta, apura desvio de medicamentos e ao uso político da farmácia municipal de Naviraí. O objetivo foi desmantelar grupo especializado a agir em favor de apadrinhados dos atuais detentores do poder local.
Além de Naviraí, as ações ocorrem nos municípios de Campo Grande e Três Lagoas.
As investigações iniciaram-se em 2015, através da delegacia de Polícia Federal em Naviraí, com a constatação da existência de um grupo ligado politicamente ao chefe do Executivo daquele município, o prefeito Léo Matos, com fornecimento direcionado de medicamentos, em prejuízo da população carente.
Levantamentos preliminares da CGU detectaram em apenas um ano, fraude superior a R$ 500 mil, valor esse que pode aumentar em razão das buscas e apreensões de documentos encontrados durante a ação policial.
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