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Giroto recebia favores e fazendas em pagamento de esquema, diz Polícia Federal

Fraudes comandadas por João Amorim tiveram a cumplicidade do então secretário de obras

20/05/2016 às 07h00
Por: Redacao Fonte: Dourados News
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Divulgação.

As investigações da operação Lama Asfáltica começam a esclarecer a ligação que existia entre o empreiteiro João Amorim e o principal contato dele no governo de Mato Grosso do Sul, da gestão de André Puccinelli (PMDB), Edson Giroto. Segundo o portal G1, o ex-secretário estadual de Obras Públicas e Transportes recebia favores, sociedade em fazendas e dinheiro por criar facilidades dentro da secretaria.

Foi por causa dessa ligação que a Justiça decretou a prisão preventiva de Edson Giroto. Todos os envolvidos na segunda fase da operação Lama Asfáltica negam as acusações.

Com a ideia de que não seria possível desviar dinheiro público sem a ajuda de alguém de dentro do governo de Mato Grosso do Sul, os agentes da Polícia Federal (PF) cruzaram informações de depoimentos, escutas telefônicas e documentos apreendidos nas duas fases da operação.

A conclusão é de que as fraudes comandadas por João Amorim tiveram a cumplicidade do então secretário estadual de Obras Públicas e de Transportes, Edson Giroto.

Segundo a investigação, Giroto era pessoa chave no esquema. Da secretaria, ele comandava também a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), responsável pelas obras do governo. Muitas irregularidades investigadas ocorreram no período em que ele estava no cargo, entre elas a construção do Aquário do Pantanal. A Egelte venceu a licitação, mas não levou, pois foi obrigada a terceirizar a obra para a Proteco, sempre com a ajuda de Giroto.

Na opinião dos investigadores, uma ligação telefônica interceptada em 2015 revela a ação.

João Amorim: Giroto, eu... to seguindo as coisas ai... ai... do Aquário, o Egídio é dificilzinho, viu Giroto?

Edson Giroto: É!

João Amorim: Mas assim, to conversando com você, a gente tem que ter calma na cabeça, não adianta, mas é que nós precisamos entrar lá pra ir se organizando, sem avançar em nada, os papéis ainda não saíram, né.

Edson Giroto: Não. Parece que empenha hoje e publica sexta-feira à noite.

João Amorim: Giroto, acho que é importante, com o Edmir, fazer tudo simultâneo, o aditivo deles....

Edson Giroto: Vai fazer simultâneo, João.

João Amorim: Isso, beleza!

Edson Giroto: Simultâneo. Até falei com ele ontem, que vou fazer aditivo, vou fazer a cessão, que ele falou que vai viajar hoje, falei então você avisa o Márcio para assinar.

João Amorim: E o cara não vai e não sabe nada, viu Giroto, é um problemão.

Giroto disse que essa dificuldade não existiria se o contrato com a Egelte tivesse sido rompido antes.

Edson Giroto: Lá atrás tinha que tomar a decisão unilateral, rompe e acabou, sabe?

João Amorim: É isso aí tinha que ter rompido, viu Giroto?

Edson Giroto: Lá atrás, viu?

João Amorim: Essas coisas é que falta coragem pro nosso povo e depois fica que, não adianta, a gente não pode ter medo de tomar decisão.

Mas além de beneficiar obras das empresas de João Amorim, Giroto é suspeito de também ser sócio dele em fazendas no interior de Mato Grosso do Sul, e ainda de ser o verdadeiro dono de uma empreiteira que tinha contratos com o poder público quando ele ainda era secretário, o que é ilegal.

A Terrassat Engenharia, com sede em Tanabi, no interior de São Paulo, pertence a Flávio Henrique Garcia Scrochio, casado com a irmã de Giroto. A empresa foi aberta com um capital social de apenas R$ 30 mil, mas em 2013, teve receita de R$ 6 milhões, 95% pagos pela Agesul. A Receita Federal encontrou despesas com hotéis pagas pela empresa para Edson Giroto. Só com a Agesul, entre 2013 e 2015, os contratos da Terrassat ultrapassam R$ 50 milhões. O contrato de compra e venda da empresa foi apreendido na casa dele.

O ex-secretário também é suspeito de ser sócio de João Amorim em fazendas, que estão em nome do genro Thadeu Silva Faria, casado com Tainá Giroto. Thadeu aparece como sócio da Baía Patrimonial, que é dona das fazendas Baía das Garças e São Francisco, avaliadas em mais de R$ 20 milhões. Outra sócia é Teresa Cristina Pedrossian Amorim, esposa de João Amorim. A polícia acredita que o genro de Edson Giroto é um laranja.

O ex-secretário também vendeu um apartamento, em 2012, para Carlos Oliva, por R$ 1,5 milhão. Dois anos depois, o imóvel foi vendido novamente, agora para Elza Amaral, secretária de João Amorim, pelo mesmo valor. Documentos apreendidos na casa dela indicam que o apartamento continua sendo de Edson Giroto, e que a falsa venda seria uma forma encontrada pelo empreiteiro para repassar dinheiro ao amigo sem ser descoberto.

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