A primeira audiência sobre o caso do lutador de jiu jitsu Rafael Martinelli Queiroz, de 27 anos, que matou Paulo Cezar de Oliveira, de 49 anos, a cadeiradas no dia 18 de maio deste ano, no hotel Vale Verde, em Campo Grande, aconteceu há pouco na 1ª Vara do Tribunal do Juri, no Fórum da Capital. Após depoimento de quatro testemunhas, o juiz concedeu à defesa o direito de o lutador fazer exame de sanidade mental, mas negou novamente o pedido de liberdade provisória.
O exame de sanidade mental, pedido pela advogada de defesa Flávia Favalo e deferido pelo juiz nesta segunda-feira (17), ainda não tem data marcada, mas deverá ser feito pelo médico psiquiatra Rodrigo Abido. Já o pedido de liberdade provisória foi negado pelo juiz Carlos Alberto Garcete, devido à brutalidade do crime.
A advogada tentou recorrer alegando que na época do homicídio, Rafael fazia uso de medicamentos para controlar peso e ansiedade e que continua tomando medicação, além de ter acompanhamento médico. Flávia reforça que o lutador não se lembra do que ocorreu no dia em que matou o hóspede.
Nesta audiência, quatro testemunhas foram ouvidas, sendo elas uma funcionária do hotel, a proprietária e o policial militar que deu voz de prisão a Rafael no dia do crime, com depoimentos de acusação e o presidente da Federação de Jiu-Jitsu Desportivo de Mato Grosso do Sul, Fábio Rocha, em defesa do lutador.
A funcionária e proprietária do hotel confirmaram que Rafael estava alterado momentos antes do crime e que teria arrombado três quartos antes de entrar no local onde estava Paulo Cezar.
O policial contou que foi acionado para comparecer ao Círculo Militar, local onde estava acontecendo o campeonato no qual o rapaz participaria, porque o lutador estava escondido em um canto, com as mãos ensanguentadas e visivelmente alterado. Até então o policial não sabia do crime.
O fato só foi descoberto alguns instantes depois, quando os dois chegaram ao hotel. Diante da situação o PM pediu reforço policial. O policial ainda disse que enquanto esteve com Rafael, o jovem falava coisas sem sentido e perguntava: “Cade o cara: eu quero o cara”.
Já o presidente da Federação de Jiu-Jítsu Desportivo de Mato Grosso do Sul, Fábio Rocha, depôs a favor de Rafael, dizendo que apesar de ter conhecido o lutador pessoalmente no dia do crime, ambos conversavam frequentemente nas redes sociais e o jovem nunca apresentou nenhum comportamente agressivo. “Nesses diálogos o Rafael sempre se mostrou uma pessoa educada e nunca notei nenhum ato violento, nenhuma atitude agressiva”, destaca.
“Professor o que eu vim fazer aqui"?
Porém, Fábio admitiu que no primeiro contato direto com Rafael, o jovem estava alterado e falava coisas sem sentido, do tipo: “Professor o que eu vim fazer aqui? Eu vim para um propósito maior?”. Segundo o presidente, Matheus, que trouxe o casal de São Paulo, disse que o lutador estava estranho desde o início da viagem e que passou o caminho todo falando coisas estranhas e desconexas.
Questionado se Rafael estaria drogado no dia do crime, o presidente respondeu que não. “Não, ele não estava com indícios de alcoolismo e nem de uso de drogas. Foi um surto psicótico”.
Rafael não depôs nesta primeira audiência, mas acompanhou os depoimentos algemado e de cabeça baixa. O jovem permanece detido em cela especial no centro de triagem de Campo Grande.
Depoimento
A audiência para colher o depoimento do lutador ainda não foi marcada, porém, antes dela pelo menos mais três audiências devem ser realizadas em São Paulo, onde seis pessoas irão depor, sendo duas de acusação, Matheus e Carla (ex-namorada de Rafael) e quatro de defesa, que não foram divulgadas.
Os depoimentos serão encaminhados para Mato Grosso do Sul por meio de carta precatória e serão anexados ao processo.
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