
A Polícia Civil confirmou o indiciamento criminal de 16 pessoas por responsabilidade no incêndio que matou 241 pessoas na boate Kiss em 27 de janeiro, anunciou o delegado Marcelo Arigony nesta sexta-feira na apresentação do relatório do inquérito sobre a tragédia. Ao todo, 35 pessoas foram responsabilizadas.
Nove indiciamentos são por homicídio doloso, sete por incêndio, quatro por homicídio culposo, dois por fraude processual e um por falso testemunho. Algumas pessoas foram indiciadas por mais de um crime.
O prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer, também está entre os responsabilizados no inquérito, mas, como ele tem foro privilegiado, a Polícia Civil não pode indiciá-lo criminalmente. O delegado Arigony afirmou que a polícia pedirá ao Tribunal de Justiça que abra processo contra o prefeito por homicídio culposo, e recomendará à Câmara Municipal da cidade que o processe por improbidade administrativa. Minutos após a divulgação do relatório, Schirmer deixou a prefeitura sem falar com a imprensa. A assessoria do prefeito informou que ainda não foi definido se ele se manifestará por meio de nota oficial ou entrevista coletiva.
Os dados que constam nas mais de 13 mil páginas do documento começaram a ser apresentados pouco depois das 14h30min no anfiteatro Flávio Miguel Schneider, no Centro de Ciências Rurais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
"Nós não estamos aqui para agradar a todos. Estamos aqui para apontar os fatos tecnicamente" disse Arigony no início da sua apresentação.
Somatório de causas
Entre as causas apontadas pela Polícia Civil para as mortes na Kiss, estão a lotação excessiva da casa, a existência de apenas uma porta de saída, o acendimento de um sinalizador por um integrante da banda, barras de ferro instaladas irregularmente próximo à porta, que dificultaram a saída das pessoas. Além disso, segundo o delegado, no momento do incêndio o vocalista da banda Gurizada Fandangueira não avisou aos frequentadores sobre o início das chamas.
Mín. 22° Máx. 37°
