O Hospital Evangélico de Dourados, por meio de ofício encaminhado ao CTC (Centro de Tratamento de Câncer) contestou a suspensão de atendimento a novos pacientes para tratamento no Hospital do Câncer, que teve início na manhã de quarta-feira (7) sob argumento de um estado crítico e insustentável do estoque de medicamentos e insumos necessários ao tratamento, que tem alto custo.
Remetida a um dos diretores do local, o médico Mário Eduardo Rocha, o ofício afirma que a suspensão de atendimento não se justifica porque há medicamento em estoque para atender pelo menos por cinco dias, o que teria sido afirmado ao HE pela própria direção do CTC também por meio de ofício encaminhado à superintendência anteriormente.
O Dourados News teve acesso ao documento do HE. Em sua argumentação, o vice-superintendente da unidade, Marco Aurélio de Camargo Areias, expõe que “[...] em análise do ofício que foi encaminhado pelo Centro de Tratamento de Câncer de Dourados, constata-se a afirmação de que existe medicação para tratamento por cerca de cinco dias, não justificando assim a suspensão de atendimento geral a partir do dia 7 de janeiro inclusive sendo os repasses já recebidos pelo hospital referente a outros convênios estarem em dia”.
Na nota, o HE critica o fechamento das portas para novos pacientes alegando que a situação poderia se sustentar por mais esses dias com o que há disponível no momento em estoque. No entanto, a superintendência não esclareceu o que seria feito, por exemplo, no sexto dia, quando teoricamente o estoque iria de fato ficar zerado.
Por outro lado, o CTC alega que tem quase R$ 1 milhão para receber do HE por conta do atraso em repasse de verbas e consequente falta de dinheiro para abastecer o estoque de medicamentos e outros insumos necessários. Desde a quarta-feira, apenas pacientes agendados e já em tratamento são atendidos.
Apesar do relato da direção do Evangélico da disponibilidade de medicamentos, em visita ao local, funcionários mostraram ao Dourados News prateleiras vazias na farmácia do Hospital do Câncer. Além disso, administração da unidade oncológica teve de financiar em torno de R$ 80 mil para quitar a folha de pagamento do mês e que não há dinheiro para abastecer a farmácia.
Com uma planilha em mãos, Rocha mostrou os valores que estariam retidos pelo Evangélico. Segundo ele, os repasses de três planos de saúde privados chegam a R$ 565.437,42 referentes aos meses de novembro e dezembro.
Já o dinheiro do SUS (Sistema Único de Saúde) que deveria estar na conta da oncologia totaliza R$ 322.432,45.
Sobre o dinheiro de convênios, o ofício do HE se restringe a afirmar que os repasses estão em dia. Já sobre os atrasos no SUS, a superintendência admitiu problemas alegando “[...] que o final do ano de 2014 trouxe surpresas quando Ministério da Saúde [...] deixou de efetivar os repasses de dezembro de 2014 na sua totalidade” fazendo-o de forma parcial e obrigando a todas as secretarias de saúde no país a adotar a mesma postura. O acerto total do repasse, ainda conforme o ofício teria ficado para este primeiro mês do ano.
Por fim, o HE argumentou que todos os serviços de atendimento ao paciente de Oncologia, Nefrologia e Cardiologia de Média e Alta complexidade, que são de responsabilidade do hospital contratualizadas por meio de convênio com a Secretaria Municipal de Saúde e credenciadas junto ao SUS fazem parte de um sistema “operante mesmo diante das mais diversas dificuldades”.
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