Um engano do Imol (Instituto De Medicina e Odontologia-Legal) e de uma funerária fez com que uma família enterrasse o corpo de um desconhecido no lugar do familiar, em Campo Grande.
Na última sexta-feira (21), o funileiro José Aparecido dos Santos, de 49 anos, foi encontrado morto dentro da própria casa. O corpo foi liberado para família realizar as últimas homenagens e enterrado na última terça-feira (25). No dia seguinte, os familiares foram convocados pelo Imol e descobriram que haviam enterrado outra pessoa no lugar de José Aparecido.
A princípio, José Aparecido teria morrido de causas naturais, mas como a morte já teria acontecido há dois dias, o corpo foi encontrado em estado de decomposição e com uma lesão na cabeça, a morte foi registrada como a esclarecer e o corpo passou por exames para determinar a causa do óbito.
Segundo a estudante Andreia Braúna, irmã de José Aparecido, após o corpo ser liberado, foi realizado o velório com o caixão lacrado e o sepultamento. Depois, a família foi surpreendida com o comunicado do erro e está revoltada com a situação.
Após a descoberta do erro, o corpo de Cícero Rosa, enterrado no lugar de José Aparecido, foi exumado. Andreia conta que nesta quinta-feira (27), familiares foram ao cemitério e encontraram a sepultura sendo preparada, como se fosse para receber o corpo do funileiro, sem que a família fosse devida comunicada e tivesse a oportunidade de se despedir.
“A única coisa que queremos é que ele tenha um sepultamento digno. Não seja feita a troca como se nada tivesse acontecido. Vamos acionar a Justiça para que a perícia seja refeita e estamos aguardando os laudos”, diz.
José Aparecido tinha cinco irmãos, três filhos e uma neta. Agora, a irmã cobra respeito à família. “Houve a troca, enterrou o corpo do Senhor Cícero e o corpo do meu irmão ficou no IML. Tudo que vai acontecer, vai depender da Justiça. Não quer apontar o dedo, mas a forma que eles queriam resolver não está certa. Ele tem família, assim como o outro senhor que foi enterrado no lugar dele. Queremos que ele tenha uma última homenagem”, pontua.
De acordo com o diretor do Imol, Marco Antonio Araujo de Mello, a troca dos corpos foi um engano cometido pelo agente da funerária, que retirou o corpo de Cícero Rosa do Imol, sem prestar atenção na etiqueta de identificação. Agora, as famílias serão convocadas para colher material para realização de exame de DNA para não restar mais dúvidas sobre a identificação.
Mello explica que o erro foi identificado pelo agente de polícia científica de plantão, que comunicou a ele. “Foi tudo esclarecido prontamente quando foi informada a troca. Foi providenciada uma reunião com familiares para tomar providências: exumar o corpo do senhor Cícero e fazer nova perícia”, diz.
Ainda segundo o diretor do Imol, o corpo de José Aparecido já havia passado por todos os exames e seria liberado. Já o de Cícero, ainda não tinha sido periciado, mas como os dois foram encontrados em estado de decomposição, estavam no mesmo local, em sacos plásticos na câmara fria. Mello afirma que pelos exames realizados foi apurado que José Aparecido morreu em decorrência de um infarto, assim como Cícero.
Foi instaurado um procedimento administrativo e com os relatórios da funerária e do agente de polícia científica de plantão a troca de corpos será apurada pelo Imol.
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