
As obras da Delegacia da Mulher de Dourados estão paralisadas. No local dos trabalhos há apenas placas do Governo Federal e Estadual. As obras, que teriam começado em julho deste ano, não foram além da inserção e retirada de areia do local. Os moradores reclamam do uso inadequado da área. De acordo com a dona de casa Carmem da Silva, como é escuro, o terreno atrai pessoas de fora do bairro para uso de drogas.
“A partir das 6 horas, temos que sair da frente de casa e nos trancar porque o local fica muito perigoso. Tudo é muito escuro e bandidos se aproveitam disso para cometer crimes por aqui”, destaca.
Ela diz que hoje a construção da Delegacia da Mulher é esperada com muita expectativa e que a paralisação gera preocupação.
“Creio que além de ficar mais perto da população, a Delegacia da Mulher vai valorizar nosso bairro, que até pouco tempo ficava de frente com um lixão. Com o início das obras, houve uma limpeza geral, mas não sabemos até quando isso vai durar com estas obras paralisadas”, diz a moradora Taís Mara da Silva. Conforme diz ela, a Rua Projetada B, no Brasil 500 precisa de uma ação ampla do município para garantir iluminação e segurança aos moradores, tendo em vista a ampla área da Delegacia da Mulher que está totalmente escura.
A redação entrou em contato, na última terça-feira, com a assessoria da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul), que ficou de retornar o contato para esclarecimentos sobre a paralisação. Isto não ocorreu até o fechamento desta edição.
No entanto, a redação apurou que o motivo da paralisação pode ser uma reformulação do plano de trabalho que a Agesul faz para corrigir um erro no projeto. Conforme informações extra-oficiais, haverá uma alteração de local em que o prédio será construído, porém ainda naquele terreno. A obra, iniciada em julho deste ano teve apenas 0,7% dos trabalhos realizados. Autor dos recursos federais que custeiam as obras, o deputado federal Geraldo Resende (PMDB) diz que está encaminhando ofícios para o Governo do Estado para buscar explicações.
Violência
Enquanto não sai do papel, a Delegacia da Mulher segue em local alugado e com estrutura deficitária, já que conforme a legislação, Dourados já deveria ter no mínimo duas delegacias, sendo uma com plantão 24h. Esta perspectiva é das Normas Técnicas de Padronização das Delegacias da Mulher, documento do Ministério da Justiça, com base no número habitacional de casa município.
Hoje, Dourados é considerada a segunda maior cidade do Estado em número de assassinatos contra mulheres. O município fica atrás apenas de Ponta Porã (fronteira com o Paraguai), que é a mais violenta do Estado, segundo o Mapa da Violência 2012, elaborado pelo Instituto Sangari com o Ministério da Justiça. Somente nos dois primeiros meses de 2014, foram registrados 232 casos de violência doméstica em Dourados.
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