
Credores da empresa Consil, que vendia ações da antiga TELEMS (Empresa de Telecomunicações de Mato Grosso do Sul), estão preocupados com rumores sobre a venda de um imóvel pertencente à empresa. O bem seria uma das garantias para os clientes que sonham com o ressarcimento das ações.
Na área apontada pelos clientes, que fica localizada na Avenida Manoel Joaquim de Moraes, na Coophamat, em Campo Grande, foram colocadas placas indicando a venda.
No final da década de 80, a Consil e a Inepar foram autorizadas pelo governo a vender as ações de empresas do setor telefônico. Porém, com a privatização da estatal as empresas fecharam suas portas. Após isso, os clientes que compraram as ações procuraram a justiça para receber o dinheiro de volta.
De acordo com Lidia Bobadilha, que entrou com uma ação judicial contra a empresa Consil, a revolta é grande. “Isso não pode acontecer, o dinheiro é meu e quero de volta. Se fosse corrigir tudo o que eles me devem, chegaria a um montante de R$ 12 mil”, conta.
Para Maria de Lourdes Xavier da Silva, que também entrou com uma ação contra a Consil, ainda há esperanças em receber o dinheiro gasto. “Mesmo com essa justiça lenta, espero um dia poder receber meu dinheiro. Acho que eles deveriam pagar com essas terras. Já faz 2 anos que não tenho nenhuma resposta dessa ação”, frisa.
Aparecida Silva Ajala também entrou com uma ação contra a mesma empresa. “Acho que houve má fé deles na hora de vender”, diz.
Contudo, o advogado Alexandre Soligo, defensor de vários credores, informou que a ação prescreveu na fase de execução de sentença. “A Consil recorreu até chegar ao Superior Tribunal de Justiça. Lá a ação foi considerada prescrita, pois o tribunal entendeu que é preciso executar a sentença em até 5 anos contados do trânsito em julgado”, explica.
Soligo diz que houve a prescrição porque muitas pessoas não guardaram os contratos firmados com a empresa. “Para fazer a execução, na vara, é preciso esse documento”, conta.
Por sua vez, Soligo informa que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul determinou a execução da empresa Inepar, que fazia o mesmo serviço da Consil. “Pelo menos os clientes da Inepar vão receber. Agora o perito vai converter o valor inicial e acrescentar os juros e os dividendos de todos esses anos. Calculo que cada ação valha R$ 30 mil em média. Contudo, se a empresa recorrer, os clientes só receberão daqui dois anos”, pondera.
A reportagem procurou responsáveis para falarem pelas empresas Inepar e Consil, mão não obteve contato.
Mín. 17° Máx. 28°
