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Promotor diz não acreditar em regeneração do goleiro Bruno

13/03/2013 às 12h40
Por: Redacao Fonte: UOL
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Prestes a recorrer para tentar aumentar a condenação de 22 anos do goleiro Bruno pela morte de Eliza Samudio, o promotor Henry Wagner Vasconcelos de Castro afirmou que não acredita na regeneração do jogador, que, segundo ele, "não ousou confessar" a morte da ex-amante. O representante do Ministério Público (MP) afirmou vislumbrar que a carreira do jogador está definitivamente ameaçada. Conforme Castro, mesmo que o jogador consiga em meados de 2018 a progressão da pena para o regime semiaberto, ele teria que dormir na cadeira todos os dias, o que inviabilizaria viagens e concentrações pelo clube que o contratasse. Leia abaixo a entrevista.

A pena ao goleiro Bruno Fernandes, idealizada pela Promotoria, seria em qual patamar? E quais são os argumentos que o senhor vai utilizar para tentar aumentar a pena dada a ele?

Castro - De 28 a 30 anos. Primeiro, porque não houve confissão. Então, na condenação pelo homicídio, não teria que ter havido a atenuação da pena por conta de uma confissão que não houve. (A juíza reduziu em três anos a pena dada ao goleiro por entender que ele teria feito uma confissão). Segundo, o mando do Bruno foi subvalorizado, tanto que, no homicídio, a pena foi aumentada em apenas seis meses por causa desse quesito. Uma clara desproporção à atenuante da confissão que, repito, não houve. A juíza também se esqueceu de considerar o mando na hora de aplicar a pena nas outras condutas. O mando é uma circunstancia agravante da pena.

Por que a promotoria não colocou o goleiro na cena da morte de Eliza Samudio? Como o senhor afirmou em entrevista coletiva logo após o interrogatório de Dayanne Souza. Isso poderia ter elevado a pena do goleiro? As provas (sobre a presença do goleiro na cena da morte de Eliza) são robustas?

Castro - Não, isso não teria nenhum reflexo. Elas (provas da presença do goleiro na cena do assassinato de Eliza) são muito robustas. Eu optei por não explorar esse ponto em plenário, porque toda a acusação, desde o início do processo, tem sido articulada estritamente no sentido do mando do Bruno. Não obstante existirem provas de que o Bruno, não somente mandou, mas esteve presente no assassinato da Eliza, houve um receio de que isso transmitisse alguma insegurança na escolha dos jurados. Eu preferi fazer uma acusação mais enxuta.

Quais são os reflexos que o julgamento do goleiro Bruno terá no júri popular do ex-policial Marcos Aparecidos dos Santos, o Bola, acusado de ser o executor de Eliza Samudio?

Castro - Os reflexos são importantíssimos porque toda prova que já há nos autos contra o Bola se tornou mais forte com a afirmação do mandante (segundo o promotor, o goleiro Bruno) de que o executor contratado foi o Marcos Aparecido, o Bola. Dentre os réus, ninguém nunca tinha citado isso.

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