O que os estudantes podem fazer naqueles minutos de recreio escolar, geralmente de 15 minutos? O tempo pode ser curto, porém quando bem utilizado transforma-se num valioso período para interagir a comunidade escolar, com troca de saberes e de informação. Na escola estadual Antônia da Silveira Capilé, no jardim Água Boa, a comunicação ganhou destaque no intervalo escolar.
Isso só foi possível com a implantação da Rádio Capilé, por meio do programa Ensino Médio Inovador, do governo federal. Com a obtenção de recursos, a escola adquiriu um mini estúdio de rádio, com mesa de som, microfone e computadores, todos interligados a caixas de som, espalhadas pelo pátio e salas de aula. Com esses equipamentos, no intervalo de 15 minutos, os estudantes do ensino médio viram locutores, sonoplastas e produtores.
O projeto Rádio Capilé foi implantado no início deste ano e com pouco tempo de duração já é sucesso. Não há transmissão externa e toda a programação, feita ao vivo, é direcionada somente para as caixas de som da escola. A programação da rádio é eclética, conta com música e informações relacionadas a educação, cultura, literatura, cotidiano da cidade de Dourados e nacional.
Os professores Kleiton Caminha e José Carlos Batista são responsáveis pelo rádio. Kleiton explica que toda a programação é colocada num roteiro e nada pode ser divulgado de última hora, exceto quando é informação de utilidade pública envolvendo a comunidade escolar. Quando a reportagem acompanhou um dos programas, na quinta-feira, um celular foi encontrado no pátio. O anúncio foi feito no rádio e imediatamente a dona foi encontrada.
A convite das diretoras Rosi Betoni e Marisa Pereira, O Dourados Agora esteve na escola. No estúdio estavam as estudantes Yasmin Galeano, locutora, e Natália Poiato, sonoplasta (responsável pela seleção de temas musicais), ambas do 3º ano médio. Na equipe delas também há outras estudantes - Gisele, Isadora, Verônica e Mariana -, todas dedicadas a produção, ou seja, escrita do roteiro e seleção de notícias para serem lidas pela locutora.
Por ter uma influência dentro de casa, o pai radialista, Yasmin tomou frente do microfone, sendo a locutora da sua equipe. “Eu gosto de comunicação. Quando o projeto entrou na escola achei muito interessante e me propus em colaborar”, disse a estudante, que pretende ser radialista e ter um programa de rádio, embora na vida profissional o interesse é seguir a carreira jurídica. “Farei vestibular para Direito”, revelou.
A colega de estúdio, Natália, diz que o Rádio Capilé fez com que ela ampliasse o leque de amizades dentro da escola, devido a maior interação com estudantes de outras séries. Ela gostou tanto do rádio que agora pensa em cursar faculdade de jornalismo ou publicidade, porém ainda está indecisa, pois também gosta de psicologia. O programa delas, intitulado “Velha Pam” é bastante eclético e toca todos os estilos musicais. Já Emilia Maria de Souza, 16 anos, também do 3º ano, é do programa “Liga da Justiça”, que ainda conta com a participação dos estudantes Natália, Letícia, Vivian, Rany, José Henrique e Rafael.
Depois que passou a ser locutora, Letícia diz que se tornou mais comunicativa, fator que considera importante para a sua vida pessoal e futuramente profissional, pois pretende prestar vestibular para medicina veterinária. “O rádio também é interessante porque faz com que todo o grupo pesquise as notícias, para informar corretamente os ouvintes”, explica a estudante.
Há pelo menos 15 programas de rádio na escola, com média de 6 estudantes por grupo. Cada um deles tem estilo próprio, principalmente na música, pois um deles é direcionado a tocar rap e um outro, gospel. Qualquer estilo musical pode ser tocado, desde que as letras não contenham apologia. Cada grupo é formado por estudantes do 1º ao 3º ano do ensino médio e cada dia da semana uma equipe vai para o estúdio. Também há participações de estudantes do ensino fundamental.
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