
“Temos 360 policiais para uma demanda de muito mais que 200 mil habitantes, em uma realidade onde as pessoas estão cada vez mais resolvendo as coisas com muita violência e intolerância”.
A fala acima é do comandante do 3º BPM (Batalhão de Polícia Militar) de Dourados, tenente coronel Ari Carlos Barbosa, que reafirma a sensação de insegurança reclamada ao Dourados News por muitos leitores.
Segundo o comandante, o efetivo não é o ideal para o Batalhão, que atende a Dourados, Caarapó, Douradina, Itaporã e mais oito distritos da região. E o total de policiais revelado por ele não corresponde especificamente a homens na rua.
Os servidores são divididos em diversas atividades, como destacamento para os demais municípios, escolta, policiamento em presídio e unidades educacionais, serviços administrativos em geral além daqueles que estão em férias e também afastados e em licença por motivos diversos.
“Eu trabalho com o que tenho. A demanda é muito grande, e o efetivo realmente não é suficiente. Dentro do que podemos, desenvolvemos um trabalho muito bom e que nem sempre é reconhecido. Ano passado fomos o único município a reduzir todos os índices de criminalidade. Mas, não podemos negar que é complicado. Para melhorar ainda mais nosso atendimento, eu precisaria de 534 homens, no mínimo”.
Na rua, diariamente estão 50 policiais em seis viaturas além das motos e de outros dois veículos: um à disposição do Getam (Grupo Especializado Tático Motorizado) e outra da Força Tática.
Nas últimas semanas o Dourados News tem divulgado casos de homicídios e assaltos registrados na cidade. Somente neste fim de semana foram três assassinatos, três tentativas de homicídio, e dois assaltos. O comandante concorda que a sensação de insegurança da população tem aumentado.
Apesar de não revelar qual o total de carros disponíveis ao Batalhão [sem contar os que estão a serviço citados acima], ele destacou o que seria ideal para um trabalho preventivo mais abrangente.
“De 12 a 15 viaturas rodando. Não conseguimos, por exemplo, trabalhar para evitar assassinatos e crimes dentro de casa. O policiamento preventivo é, de certo modo, um pouco prejudicado pela falta de efetivo. Temos viaturas, mas faltam pessoas. A viatura hoje desce com dois policiais quando o ideal seria de três a quatro. É uma demanda realmente grande”.
Amanhã o Dourados News mostrará a preocupação da ACS/MS (Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul), com a falta de atenção por parte das autoridades ao efetivo da PM.
Comandante da PM diz que, apesar de déficit, corporação realiza trabalho que apresenta resultados nos índices de criminalidade e muitas vezes não é reconhecido (Foto: Ademir Almeida)
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