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Painel inédito mapeia ocorrências de javalis em Mato Grosso do Sul

Mato Grosso do Sul passa a contar com uma ferramenta inédita para o monitoramento de javalis, javaporcos, porco-do-mato, catetos e queixadas.

19/06/2026 às 11h00
Por: Redação Fonte: Ligado na Noticia
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Painel inédito mapeia ocorrências de javalis em Mato Grosso do Sul

Mato Grosso do Sul passa a contar com uma ferramenta inédita para o monitoramento de javalis, javaporcos, porco-do-mato, catetos e queixadas. O Painel de Monitoramento de Suiformes reúne registros georreferenciados de todo o Estado e transforma informações coletadas em campo em inteligência territorial, permitindo acompanhar a distribuição desses animais, identificar áreas de risco e subsidiar ações de controle e manejo.

Desenvolvida pela Aprosoja/MS com recursos do Fundo para o Desenvolvimento das Culturas de Milho e Soja de Mato Grosso do Sul (Fundems), em parceria com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), a plataforma utiliza geotecnologia para consolidar informações estratégicas em um ambiente dinâmico e de fácil acesso.

Por meio do painel, produtores rurais, pesquisadores, entidades do setor e órgãos públicos podem visualizar em tempo real a localização das ocorrências, a frequência dos registros e a concentração dos animais nas diferentes regiões do Estado. As informações também permitem acompanhar tendências de dispersão populacional e apoiar o planejamento de ações preventivas e corretivas.

Segundo o coordenador técnico da Aprosoja/MS, Gabriel Balta, a iniciativa representa um avanço na utilização de dados para fortalecer a defesa agropecuária estadual.

"O painel transforma informações coletadas diretamente no campo em uma base estratégica de inteligência territorial. Com isso, conseguimos identificar áreas críticas, acompanhar a evolução das ocorrências e oferecer subsídios técnicos para ações mais eficientes de monitoramento, controle e prevenção de riscos sanitários e econômicos".

Além de fortalecer a defesa sanitária, a ferramenta contribui para a avaliação dos impactos causados pelos animais na produção agrícola e no meio ambiente. Como espécie exótica invasora, o javali provoca alterações no solo, favorece processos erosivos, compete por recursos com espécies nativas e causa impactos sobre a fauna local, especialmente em áreas de Cerrado e Pantanal.

“O banco de dados será alimentado por produtores rurais, engenheiros agrônomos, médicos-veterinários, técnicos de campo, gestores de propriedades e controladores autorizados. Cada registro poderá incluir fotografias georreferenciadas, vídeos e evidências dos danos observados, ampliando a qualidade e a confiabilidade das informações”, aponta a analista de Geoprocessamento da Aprosoja/MS, Staël Caroline.

Os dados passarão por um processo de auditoria conduzido pela equipe técnica da Aprosoja/MS, onde serão analisadas a consistência geográfica dos registros, a autenticidade das evidências e a identificação correta das espécies, garantindo que as informações utilizadas nas análises sejam precisas e seguras.

"A qualidade dos dados é fundamental para que o painel cumpra seu papel. Por isso, adotaremos um rigoroso processo de validação técnica, garantindo informações confiáveis para apoiar decisões dos produtores, das entidades do setor e dos órgãos de defesa sanitária", conclui Gabriel.

Com acesso público e gratuito, a plataforma consolida uma base inédita de informações sobre a presença de suiformes em Mato Grosso do Sul.

Proteção das lavouras

Considerado uma das principais espécies invasoras presentes no território brasileiro, o javali representa riscos sanitários, ambientais e econômicos. Além dos danos causados às lavouras e à infraestrutura rural, o animal pode atuar como reservatório de enfermidades de grande impacto para a produção pecuária.

No campo, bandos de suiformes, conhecidos como varas, causam severa destruição física em culturas de relevância estratégica para o Mato Grosso do Sul, como a soja e o milho: o pisoteio, o revolvimento do solo e o consumo de sementes e plântulas reduzem a produtividade por hectare, além de os animais destruírem cercas e infraestruturas de captação de água e atacarem criações de pequenos animais domésticos. Do ponto de vista ambiental, como espécie exótica invasora, o javali altera a estrutura do solo ao chafurdar, acelerando processos de erosão e assoreamento de mananciais e nascentes, além de predar diretamente ovos, répteis, anfíbios e pequenos mamíferos nativos do Pantanal e do Cerrado e de competir de forma desleal por recursos alimentares com o queixada (Tayassu pecari) e o cateto (Pecari tajacu).

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