
A rede de urgência e emergência de Dourados enfrenta um cenário de instabilidade com a possibilidade de saída de cerca de 60 médicos da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e do Hospital da Vida a partir do dia 5 de maio.
A mudança está relacionada à implantação de um novo contrato que prevê redução nos valores pagos pelos plantões médicos. Atualmente, os profissionais recebem entre R$ 1.050 e R$ 1.250 líquidos por 12 horas de trabalho. Pelo novo modelo, o pagamento varia entre R$ 750 e R$ 850 brutos, com valores líquidos que podem chegar a cerca de R$ 660 após descontos.
Com a alteração, a remuneração por hora pode cair de aproximadamente R$ 95 para cerca de R$ 54.
Segundo relatos de profissionais das unidades, a redução levou à recusa de parte significativa da equipe em permanecer nos plantões. A substituição dos profissionais deve ocorrer de forma imediata, com uma equipe deixando o serviço e outra assumindo no dia seguinte.
Os novos profissionais devem vir de outros estados, como Rondônia e Goiás. Há relatos de que parte dos substitutos não possui experiência específica em atendimento de urgência e emergência.
A situação ocorre em um momento de aumento na demanda por atendimentos, com registros de casos de chikungunya, crescimento de síndromes respiratórias e unidades operando com alta ocupação.
Em um dos registros recentes da UPA, mais de 100 pacientes haviam passado pela triagem, cerca de 90 aguardavam atendimento e apenas dois médicos estavam em atividade no momento.
O município decretou situação de emergência em saúde pública e passou a contar com apoio da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS).
Médicos também protocolaram denúncias no Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM-MS) e no Ministério Público Estadual, apontando preocupação com a continuidade dos atendimentos.
A UPA e o Hospital da Vida atendem não apenas a população de Dourados, estimada em cerca de 245 mil habitantes, mas também uma macrorregião com aproximadamente 380 mil pessoas, o que amplia o impacto das mudanças previstas na rede de saúde.