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Santa Casa não entrega prontuário para família de menino morto após machucar o joelho

A família continua afirmando que a morte se trata de erro médico

15/04/2026 às 15h30
Por: Redação Fonte: Midia Max
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João Guilherme gostava de fazer desenhos. (Foto: Arquivo Pessoal)
João Guilherme gostava de fazer desenhos. (Foto: Arquivo Pessoal)

A Associação das Vítimas de Erros Médicos afirma que a Santa Casa de Campo Grande se negou a entregar o prontuário do menino João Guilherme Jorge Pires, morto aos nove anos, após idas e vindas em unidades de saúde. A causa da morte na certidão de óbito é em decorrência de insuficiência respiratória.

João morreu após uma saga na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Tiradentes. Isso porque caiu enquanto jogava bola e lesionou o joelho. Ainda, no dia 2 de abril, foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento, mas, entre idas e vindas, morreu no dia 6 de abril, na Santa Casa.

Uma suposta falha na entubação feita inicialmente na UPA, onde o menino foi atendido após a queda, foi apontada como uma possível causa para a morte. O caso está sendo investigado na DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente).

Prontuário negado

Após pouco mais de uma semana da morte, na tarde desta terça-feira (14), a Associação das Vítimas de Erros Médicos realizou uma coletiva de imprensa e afirmou que a Santa Casa teria se negado a entregar o prontuário médico para a família. Além disso, eles não tiveram acesso aos prontuários de atendimento das UPAs.

Agora, a Associação fará o pedido por meio da promotoria. Isso porque o documento vai facilitar descobrir a verdadeira causa da morte da criança. Na certidão de óbito, consta que a morte foi em decorrência de insuficiência respiratória.

“Com o prontuário, a ideia é achar quais caminhos foram tomados que levaram à morte do João Guilherme. Ainda não temos elementos, só a noção de que alguma coisa deu muito errado no atendimento”, disse o advogado da família, Givanildo de Paula.

Para a defesa, a situação possivelmente se trata de uma sequência de erro médico, decorrente de procedimentos. “Equipe não atendeu de forma adequada, possivelmente desmotivada pelo trabalho. A pessoa que se propõe a trabalhar na área da saúde tem que ter alguma afeição para com o ser humano, o mínimo de zelo”, disse Givanildo.

Mãe pede justiça

Bastante abalada, Regiane Jorge, mãe de João Guilherme, também participou da coletiva pedindo por justiça pela morte do filho. Para ela, a motivação da morte do garoto foi, sim, um erro médico. Além disso, relembrou o sonho profissional do filho.

“O que aconteceu foi um erro médico, erro de todos, e eu quero justiça pelo meu filho. Não era para isso ter acontecido. Uma criança saudável, jogava futebol, era prendada. O sonho de ser um arquiteto, desenhista, acabou”, desabou a mãe.

A tia da criança, Adriana Soares, relembrou a forma como ele foi atendido. Ele estava praticamente desmaiado. Não tinham maca pra atendê-lo, atenderam ele no chão. Ficou um vai e vem, disseram que tentaram reanimar e depois que tinha morrido. Depois, voltaram atrás e transferiram para a Santa Casa”, disse Adriana.

Falha na entubação

O documento do encaminhamento do corpo relata que a vítima foi transportada pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) até a Santa Casa. Ele havia sofrido um trauma há três dias, procurou atendimento e, após diagnóstico de fratura, a perna e o joelho esquerdo foram imobilizados.

Por volta das 20h30, João Guilherme deu entrada na UPA do bairro Universitário desacordado e foi entubado, momento em que foi percebida grande quantidade de sangue em via aérea.

“Ao chegar na UPA para o transporte, o Samu encontrou paciente em PCR (AESP) com o tubo mal fixado. Realizado 3 ciclos de RCP, retornando pulso”, diz trecho do documento.

No início da madrugada de terça-feira (7), por volta de 0h10, João Guilherme teria dado entrada na Santa Casa com a equipe do Samu. “Iniciamos os cuidados com o mesmo, coleta de exames e preparativo para troca de tubo com escape”, descreve o documento emitido pela Santa Casa.

Durante os preparativos para a troca do tubo, o menino sofreu parada cardiorrespiratória, e a equipe realizou oito ciclos de reanimação. A criança continuou com sangramento ativo nas vias aéreas e não resistiu. O óbito foi constatado na mesma madrugada, à 1h05.

Na quarta-feira (8), a família de João Guilherme disse ao Jornal Midiamax que o menino foi vítima de negligência. “No laudo da Santa Casa, eles disseram que foi uma entubação errada […] Foi negligência, uma criança de 9 anos e saudável, com toda a vida pela frente, por um erro médico, acabou perdendo a vida”, falou a tia Adriana Soares.

Polícia Civil investiga

A morte do menino João Guilherme Jorge Pires é investigada na DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), em Campo Grande.

Caso, que foi denunciado, é investigado pela PCMS (Polícia Civil de Mato Grosso do Sul), pela DEPCA.

Não foram divulgados detalhes da investigação inicial — a delegada responsável pelo caso irá se manifestar somente após a conclusão do inquérito.

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