
O ex-subsecretário de Políticas Públicas para Povos Originários — e liderança indígena — Fernando Souza revelou ao Jornal Midiamax o descaso da gestão do prefeito de Dourados, Marçal Filho (PSDB), com a incidência de chikungunya no município. A doença já soma 1.259 casos confirmados em 2026, com cinco mortes.
O ex-titular da pasta no governo de MS disse que, no início de março, após a segunda morte confirmada pela doença, o município de Dourados estava no que chamou de ‘estado de estagnação’, já que não tinha sequer projeto de ação coletiva para frear o avanço da chikungunya.
Conforme o ex-subsecretário, a administração de Marçal Filho só agiu após levar um ‘puxão de orelha’: “A secretária-adjunta da saúde [Christinne Maymone] veio chamar atenção para ação imediata”, detalhou.
Então, após a confirmação do segundo óbito, houve reunião, no dia 4 de março. “Reunião muito dura de que não daria [para continuar assim]”, diz Fernando, relembrando que somente no dia 9 de março iniciou-se, de fato, o arrastão de ações.
Após anos de espera e sucessivas falhas no abastecimento, o governo federal assinou, nesta sexta-feira (3), uma ordem de serviço para ampliar e reestruturar o fornecimento de água nas aldeias indígenas Jaguapiru e Bororó, em Dourados. A iniciativa, apresentada durante visita do ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, prevê R$ 53 milhões em investimentos.
A assinatura ocorre em meio a uma crise histórica agravada pelo avanço da chikungunya. Dourados é considerada o epicentro da doença em Mato Grosso do Sul.
Segundo Eloy, os recursos serão destinados para obras estruturais no sistema de abastecimento, como parte de uma força-tarefa interministerial criada para enfrentar, ao mesmo tempo, a emergência sanitária e os problemas de infraestrutura nas comunidades.
O ministro também cobrou do município de Dourados a execução de quase R$ 1 milhão já liberados para limpeza urbana e retirada de resíduos, apontada como uma das principais medidas para conter a epidemia de chikungunya na Reserva Indígena. O recurso, de cerca de R$ 974 mil, foi aprovado pelo governo federal para ações como remoção de lixo e destinação adequada de resíduos, considerados focos do mosquito transmissor.
Sobre o avanço da doença, o ministro evitou apontar culpados, mas reforçou a necessidade de ação imediata. “Quando se trata de saúde e de vidas humanas, a responsabilidade é de todos. Não estamos aqui para apontar culpados, mas para reconhecer a situação crítica e enfrentá-la”, afirmou. Ele também citou a necessidade de melhorar serviços básicos. “Precisamos melhorar a coleta de resíduos sólidos, tanto na área urbana quanto nas comunidades indígenas”, disse.