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19/10/2018 às 08h10

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Redacao

Dourados / MS

Indígenas ateiam fogo em palhada de milho para intimidar sitiantes
As invasões na região intensificaram há dois anos, a maioria em sítios que margeiam a Perimetral Norte em Dourados
Indígenas ateiam fogo em palhada de milho para intimidar sitiantes

Como forma de intimidar os sitiantes às margens da rodovia Guaicurus em Dourados, vizinhos à aldeia Bororó, indígenas passaram a atear fogo na palhada de milho. No sábado o clima foi tenso no local, sendo preciso a presença da polícia. O clima nada mudou e o risco é de confronto a qualquer momento.

Há duas semanas um grupo de indígenas invadiu um sítio que abriga usina de reciclagem e fez refém um casal de funcionários. A moradia foi toda danificada e um carro furtado. Desde então a situação segue em clima de terror, dizem os sitiantes.

As invasões na região intensificaram há dois anos, a maioria em sítios que margeiam a Perimetral Norte. A mira agora passou a ser de propriedades nas proximidades da Guaicurus, avenida de acesso à Cidade Universitária e aeroporto. O sítio de Nelson Amaral, local onde há cultivo de mandioca e criação de animais como porcos, carneiros e gado, está sendo o principal alvo. O sitiante afirma que as terras são escrituradas e foram adquiridas pelo seu avô, em 1928.

No sábado os índios colocaram fogo na palhada de milho de um propriedade vizinha a Nelson. Bem na divisa há entulhos de construção, local onde os indígenas, todos jovens, usam como ponto de encontro para intimidar Nelson. "Estavam soltando fogos e gritando, a qualquer hora do dia. Chegaram a dizer que não têm nada a perder. E agora estão colocando fogo na palhada", disse ele, que registrou imagens com celular.

Os sítios da região têm entre um a dez hectares e os proprietários vivem do que cultivam nas terras. Odair Barros não vê a hora de iniciar o plantio de soja, já atrasado, porém, teme pela sua vida e de colaboradores. Ele tentou colocar o trator nas terras, mas foi impedido por um grupo de jovens indígenas. "São todos rapazes que não querem conversa. Apenas vem pra cima com foices, estilingue e até coquetel molotov [mistura química incendiária]", relatou.

A reportagem esteve no local e constatou a presença de dezenas de barracos de lona em um sítio vizinho a Nelson e a presença de jovens indígenas próximos a propriedade. Por questão de segurança, os sitiantes deixaram de transitar pela estrada que liga Nelson a outros sítios, como a propriedade invadida há duas semanas.

O capitão Silvio de Leão, da aldeia Bororó, disse por telefone à reportagem que parte dos indígenas é da própria aldeia e o restante de cidades vizinhas. Ele acredita que as invasões estão sendo ampliadas devido a falta de terras aos mais de 15 mil índios distribuídos entre as aldeias douradenses Bororó e Jaguapiru. As duas tem cerca de 3.5 mil hectares. Silvio não soube dizer se teria alguma liderança que comanda as invasões.

O coordenador regional da Funai em Dourados, Silvio Raimundo da Silva, disse que recém foi informado sobre o clima tenso e que encaminharia uma equipe para acompanhar o caso. Não é recente a reclamação de sitiantes sobre furtos na região. Em 2016 cinco propriedades foram invadidas e até hoje as terras estão ocupadas por moradias de indígenas. Eles obtiveram reintegração de posse das áreas, contudo, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a retirada dos índios até o encerramento de todas as ações.

FONTE: Dourados Agora

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