Por: Redacao Fonte: Dourados News
%BANNER%Mesmo com anúncio de acordo entre Governo Federal e Confederação Nacional dos Caminhoneiros Autônomos (CTNA), divulgado na noite desta quinta-feira (24), manifestantes seguem com acampamento montado em três pontos em Dourados e não há previsão de liberação das rodovias.
Segundo a Agência Brasil, a Polícia Rodoviária Federal não registrou nenhuma mudança nos locais de manifestação espalhados pelo Brasil.
O Dourados News esteve mais uma vez visitando a mobilização feita no Trevo da Bandeira na BR-163 em Dourados. Este é o quarto dia de mobilização na cidade.
De acordo com o caminhoneiro Marcelo Garcia, de 41 anos e há 15 anos nas estradas, os manifestantes não vão liberar as rodovias até que o Governo Federal atenda a principal reivindicação da categoria, que é a isenção do PIS/Cofins sobre o óleo diesel.
Na reunião de ontem a noite entre ministros e representantes da classe em Brasília (DF), o Governo se comprometeu em algumas das exigências dos caminhoneiros - veja no final da matéria quais são.
Apesar das promessas, dois dos três representantes — Associação Brasileira de Caminhoneiros (Abcam) e a União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam) — deixaram a reunião sem manifestar apoio às propostas.
"Eu não vou assinar (o acordo) com a categoria toda parada. O que eles querem é desmobilizar a greve. A greve não é dos caminhoneiros, é da sociedade toda. Muitas outras categorias aderiram. O que temos até agora são só promessas. Então, não assinei e não me arrependo. Acho que fiz certo", disse José Araújo da Silva, o China, presidente da Unicam em entrevista à BBC Brasil.
APROVAÇÃO POPULAR
Em Dourados é notável a aprovação popular à manifestação dos caminhoneiros. Doações de água, alimentos, utensílios, materiais de higiene pessoal e muitas outras coisas para atender as necessidades dos manifestantes estão sendo entregues diariamente por moradores da cidade.
Segundo um dos caminhoneiros entrevistados, os três pontos de mobilização — Trevo da Bandeira, na Coronel Ponciano e no Posto da Base — reúnem cerca de 1000 manifestantes.
“Estamos tendo apoio do povo. Eles sabem que a luta não é só nossa. E estamos abertos para receber quem quiser vir pra cá se unir a nós”, disse um caminhoneiro ao Dourados News.
Além dos motoristas, produtores rurais também estão se mobilizando nos pontos de manifestação. De acordo com o caminhoneiro Marcelo, até o Sindicato Rural de Laguna Carapã uniu forças em prol a causa.
IMPACTOS
Em todo o País, inclusive em Dourados, os impactos dessa grande mobilização já podem ser sentidos em diversos setores.
Vários postos de combustível na cidade decretaram ‘estoque’ zerado de gasolina. Além disso, revendedores de gás dispensam clientes por falta de botijões, principalmente o de 13 quilos.
Nos supermercados, há risco iminente de falta de alimentos, principalmente hortifrúti e ovos. Pelo Brasil, há vários comércios com estoque zerado, as Ceasas (Centrais de Abastecimento) já estão fechando as portas por falta de produtos.
Não há prazo para encerramento das manifestações.
VEJA AÇÕES PROPOSTAS PELO GOVERNO
- Zerar a alíquota da Cide, um dos impostos que compõem o preço dos combustíveis;
- Segurar durante 30 dias, a redução do preço do diesel anunciada pela Petrobrás. A petroleira já havia prometido estabilidade de 15 dias;
- Manter constância de reajustes dos preços do óleo, sendo alterados apenas a cada 30 dias;
- Reeditar periodicamente uma tabela de referência (sem força de lei) para os preços dos fretes.
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