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Indígenas pedem policiamento durante lançamento de projeto contra violência doméstica

26/06/2017 às 22h51
Por: Redacao Fonte: Dourados News
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Lideranças da Aldeia Jaguapiru e a cabo da PM Gleice dos Santos,
parceira do projeto. Fotos: Isadora Spadoni

Indígenas reclamaram da falta de policiamento nas aldeias de Dourados durante lançamento de um programa para combater a violência doméstica contra mulheres indígenas, na manhã desta segunda-feira (26), na Aldeia Jaguapiru.

Enquanto as autoridades apresentavam o programa, entre elas a subsecretária de Políticas Públicas do governo do Estado para as Mulheres, Luciana Azambuja, uma moradora da Aldeia Jaguapiru reclamou que chamou a polícia para atender a uma vizinha grávida agredida pelo marido e não foi atendida.

"A mulher tá há dois dias tudo ensanguentada lá e vai perder o bebê dela, mas ninguém foi atender até agora", disse Alda da Silva, da etnia guarani-kaiowá. A secretária disse que, com o projeto, a presença das polícias Civil, Militar e do Corpo de Bombeiros serão fortalecidas na região para atender a violência doméstica.

O capitão da aldeia Bororó, Gaudêncio Benitez, pediu uma reunião com autoridades de segurança pública para tratar do policiamento nas aldeias. "Vocês precisam vir na nossa base para discutirmos de que forma nós queremos uma segurança aqui em nossa comunidade. É importante a presença da segurança porque a demanda tem aumentado cada vez mais. Se não combatermos a venda de drogas e arma aqui dentro, não vamos conseguir solucionar os problemas".

A subsecretária disse que o governo do Estado faz "o que é possível" para que o atendimento ocorra. "Vocês esquecem de chamar a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Funai. Porque a Polícia Civil, a Polícia Militar e a Força Tática, nós estamos fazendo o que é possível e atendendo, sim, as ocorrências que chegam". Luciana Azambuja se comprometeu a reunir-se novamente com as aldeias.

O Governo do Estado é investigado pelo Ministério Público Federal por não cumprir um convênio com a União em que se comprometia a realizar policiamento nas aldeias indígenas de Dourados e Caarapó. como noticiou o Dourados News.

O projeto "Protagonismo das Mulheres Indígenas no Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar" ministrará palestras sobre o assunto e levará atendimento uma vez por mês até a Aldeia Jaguapiru, para registrar ocorrências de agressão e acompanhar o cumprimento de medidas protetivas. É realizado em parceria com mulheres indígenas, governo do Estado, prefeitura de Dourados, polícias Civil e Militar e Corpo de Bombeiros,

"Muitas mulheres têm dificuldades de ir até a cidade para fazer a denúncia e de comparecer à Polícia Civil para serem ouvidas, por exemplo. Outra dificuldade é de os agressores respeitarem as medidas protetivas, pois as casas são muito próximas umas das outras. Com a presença da polícia, as mulheres se sentirão mais protegidas e os processos terão maior celeridade", disse a delegada Paula Ribeiro dos Santos Oruê, titular da Delegacia de Atendimento à Mulher em Dourados.

Segundo a delegada, os casos de estupros de vulnerável são os mais comuns, mas ela afirma que outros tipos de agressão e humilhação também ocorrem com muita frequência, mas não são denunciados pelas vítimas. "Quando é estupro de vulnerável, elas sempre denunciam, mas ainda há muita resistência em denunciar outros casos".

A cartilha sobre a Lei Maria da Penha nas línguas terena e guarani-kaiowá, lançada no final do ano passado, não apresentou muitos resultados, segundo a delegada. "Muitas mulheres não sabem ler, por isso a importância das apresentações e palestras sobre o tema", disse.

Antes da chegada do "ônibus rosa", que estará na aldeia uma vez por mês para atender às vítimas, era Nilza Meireles quem levava as mulheres em seu próprio carro para denunciar as agressões à polícia. "A violência doméstica não é costume da cultura indígena. Infelizmente as mulheres ainda tem muita vergonha de denunciar, mas estamos batalhando para mudar isso", diz. Nilza é da etnia terena e presidente do Conselho Feminino da Aldeia Jaguapiru.

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