O grupo que está acampado desde a manhã de quarta-feira (15) em frente ao escritório do deputado federal Geraldo Resende (PSDB) vai permanecer no local mesmo após o encontro que aconteceu na manhã desta sexta-feira (17). Eles debateram junto do parlamentar sobre os impactos que a reforma da Previdência pode causar caso seja aprovada.
Participaram do encontro, representantes de vários sindicatos dentre eles, Correios, professores, enfermeiros além de indígenas.
Segundo o coordenador do Comitê de Defesa Popular e presidente do sindicato dos bancários, Ronaldo Ferreira, o diálogo foi produtivo, porém o grupo espera que o deputado vote contra a reforma na previdência.
"É isso que nós queremos o diálogo e tudo é produtivo, nós não podemos aceitar que deputados proponham as imposições sem ouvir o povo. O deputado foi coerente e ouviu o povo e isso é importante, mas vamos aguardar a posição dele. Nós queremos o sepultamento dessa proposta que é muito séria, que mexe com a previdência do povo e ele tem que ser amplamente discutida com a sociedade para não cometermos erros. Os movimentos sociais mostraram para ele qual que é a nossa posição e o deputado a dele, achamos que ele pode mudar de posição, no sentido de entender o clamor do povo e vamos aguardar e o acampamento continua até sábado", disse Ronaldo.
Assim como Ferreira, a presidente do Simted (Sindicato Municipal dos Trabalhadores em Educação de Dourados), Gleice Jane Barbosa, contou que o encontro foi positivo, já que o deputado prontamente compareceu e ouviu o povo, porém aguardam que o deputado vote contra a Reforma da Previdência.
"Foi um encontro positivo no sentido que o deputado compareceu e dialogou com a gente, mas nós ainda vamos saber do resultado dele na votação. O acampamento continua nós vamos fazer algumas avaliações de reuniões, mas ele continua", disse Gleice.
Na ocasião, o deputado falou sobre sua posição, segundo ele é a favor que haja a reforma, porém que alguns pontos sejam revistos, assim como ouviu prontamente o posicionamento de alguns manifestantes.
Após o encontro, o deputado recebeu a reportagem do Dourados News e falou sobre a manifestação e a recepção que teve no aeroporto de Campo Grande, na noite de ontem (16) e a proposta da Reforma da Previdência.
"Estou respondendo eles prontamente. Eu coloquei os pontos mais importantes que terão de mim o apoio, mas eles são resistentes e reticentes, eles gostariam que fosse sepultada a Reforma da Previdência. Eu acho que nós não podemos perder essa oportunidade, o país atravessa uma crise criada inclusive pelos governos que passaram durante 13 anos, que levou esse total descarado na economia do país, a quebra de qualquer princípio ético moral e a gente precisa reconstruir esse país. E nessa lógica a Reforma da Previdência, Tributária, política e a trabalhista deverá acontecer, mesmo que tenha algumas posições contrárias, elas vão ter que avançar para podermos preparar um país melhor para as próximas gerações. Não adianta hoje colocar que é contra a reforma da previdência e que não quer discutir nenhum ponto se daqui alguns anos, não vai ter dinheiro para pagar os aposentados. Se continuar do jeito que está não terá dinheiro para a saúde que já é muito minguado, educação, infraestrutura e atender as outras demandas da população. Precisamos equalizar e ao mesmo tempo construir uma previdência que seja sustentável que possa garantir paridade a todas as categorias e que seja auto sustentável no futuro, da minha parte eu sou contra vários pontos da previdência", explicou o deputado.
Segundo eles os pontos que devem ser revistos são a questão dos 49 anos de contribuição, a igualdade entre homens e mulheres, já que a mulher sempre tem dupla e até tripla jornada de trabalho, sendo que trabalha fora e em casa também.
"A contribuição de 49 anos, é um tempo muito elástico, nós precisamos diminuir esse tempo, a questão que eu abordo é da paridade entre homens e mulheres eu acredito que a mulher que tem dupla e até tripla jornada de trabalho ela precisa de um tratamento diferenciado no estabelecimento da idade mínima dela se aposentar. Tem também a questão das pessoas com deficiências e as pessoas com funções que são insalubres e os idosos. Precisamos continuar tendo o BPC – Benefício Previdenciário Continuado, que ele seja vinculado ao salário mínimo e as regras de transições deve mudar, não pode ser tão duras como está acontecendo, para que podemos ter a possibilidade de votar, não na reforma da maneira que ela chegou, mas pelo menos em algum dos pontos que possa pelo menos amenizar e construir um cenário melhor para o povo. A minha posição é contra a reforma da maneira que ela chegou lá, mas sou a favor que seja feito a Reforma da Previdência, eu sou contra uma grande parcela dos pontos da forma que está e vou trabalhar para que possamos construir uma proposta que possa ter a maioria da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, mas eu entendo que precisa da Reforma Previdenciária no país", finalizou.
PEC-287 que trata da Reforma da Previdência
A Proposta de Emenda à Constituição -PEC- 287- prevê regras iguais para homens e mulheres, tanto para o serviço público quanto para o privado, idade mínima de 65 anos para aposentadoria e exigência de 25 anos de contribuição, tempo que pode chegar a 49 anos para acesso ao benefício integral.
No caso das Forças Armadas, o assunto será tratado por projeto de lei. Já os bombeiros e os policiais militares terão sua situação definida nos próprios estados.
Desde anunciada a proposta vem acusando polêmica e com isso alvo de manifestação em todo o país.
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