Homens armados em quatro caminhonetes e um trator atacaram indígenas Guarani e Kaiowa acampados no tekoha Guapoy, considerada Terra Indígena (TI) Dourados-Amambaipeguá I. O caso teria ocorrido na noite de segunda-feira (11), no município de Caarapó, mesmo local onde foi assassinado o agente de saúde Clodiodi de Souza no mês passado.
Conforme o Cimi (Conselho Indigenista Missionário), três pessoas foram atingidas por tiros de armas de fogo: um adulto de 32 anos e dois jovens, um de 15 e outro de 17 anos. Um deles, em estado grave.
O ataque ocorreu sob a presença na região da Força Nacional de Segurança que desembarcou na região logo após o conflito no mês passado, na Fazenda Yvu.
Ainda de acordo com o Conselho, os Kaiowa relatam que, por volta das 21h as famílias faziam o ritual, quando visualizaram um trator do tipo pá-carregadeira e quatro caminhonetes rondando a área do equipamento, além de sons de disparos.
Uma hora depois os veículos se aproximaram do acampamento. "Eles vinham bem devagarzinho. Na frente, a ‘concha’ [trator] com os faróis acesos. Atrás, as caminhonetes, de luzes apagadas. Aí eles começaram a gritaram ‘sai daí, seus vagabundos!’, e vinham na nossa direção", relatou um dos sobreviventes.
O homem de 32 anos levou um tiro que atravessou seu braço, um dos menores, levou um tiro no joelho. Já o disparo que atingiu outro menor atravessou seu braço e também o tronco.
CONFLITO
O conflito entre indígenas e produtores rurais no local teve início em 12 de junho, e no dia seguinte, uma estrada que dava acesso à Fazenda Yvu foi bloqueada por índios. Em 14 de junho, confronto entre as partes resultou na morte do agente de saúde e deixou outros indígenas feridos.
Na tentativa de acalmar os ânimos, três policiais ficaram reféns dos indígenas por duas horas e tiveram armas e pertences ‘sequestrados’ pelos índios.
Em 15 de junho, após longa negociação da Polícia Militar e posterior intervenção do MPF, os índios devolveram parte do armamento dos policiais e coletes a prova de balas. No final do mesmo dia, a Força Nacional de segurança chegou ao local, após pedido do Governo do Estado, que veio para dar apoio as demais forças de segurança que estão atuando no local desde que iniciaram os conflitos.
Recentemente a Justiça Federal determinou a desocupação da área por parte dos indígenas e deu prazo de 20 dias para que a situação fosse resolvida.
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