Incluídas no Programa "Obras Inacabadas Zero", o Governo do Estado informou aoDourados News que concluiu as obras do trecho da MS-162 chamado Avenida Guaicurus. No entanto, o que se pode ver no local é que ainda faltam reparos a serem feitos para que ela fique plenamente em condições de uso.
O problema mais crítico está na ciclovia. Vários pontos dessa tiveram a pavimentação "cortada" para instalação de tubulação para drenagem. No entanto, não foram cobertos novamente e os canos estão expostos na avenida.
Outro ponto bastante criticado é a questão da iluminação. Um longo trecho está às escuras, colocando em risco quem precisa trafegar a noite pelo local. "Todas as lâmpadas instaladas na Guaicurus já funcionaram um dia, mas nunca todas ao mesmo tempo. Sempre tem um trecho que está às escuras", afirmou o presidente da Comissão Pró-Duplicação da Avenida Guaicurus, Franz Mendes.
Nas imediações da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, outro indício de obras inacabadas. Uma parte do guard rail está com a estrutura metálica aparente, sem a cobertura de concreto.
Ainda há outras questões de infraestrutura, como quebra molas com a pavimentação toda rachada. A sinalização horizontal já está quase toda apagada, o que prejudica principalmente quem precisa usar a avenida no período noturno.
Alguns pequenos buracos também voltaram a aparecer na pista, mas ainda não chegam a ter tamanho suficiente para impedir o tráfego. A avenida já esteve em situação mais crítica com relação a isto no ano passado, mas houve reparos.
Os problemas foram relatados pela Comissão Pró-Duplicação da Avenida Guaicurus. Ainda segundo a entidade, há pelo menos um mês não há atividade na obra que, segundo eles, não pode ser considerada concluída, devido à falta de itens básicos.
Na sexta-feira (20), após conversar com a Comissão, o Dourados News entrou em contato com a Agesul (Agencia Estadual de Gestão de Empreendimentos) do Governo do Estado através da assessoria de comunicação, para questionar o andamento da obra. A informação era de que a duplicação não teria ficado "tudo aquilo que a comunidade esperava", mas que estaria concluída.
Informou ainda que questões relacionadas à drenagem seriam repassadas para prefeitura solucionar.
Nesta segunda-feira (23), o jornal entrou em contato novamente com a assessoria de comunicação, detalhando o que foi encontrado na ida até o local para que o Governo do Estado pudesse se manifestar a respeito de cada problema. Mas, não obteve nova resposta até a publicação desta reportagem.
"Não é uma questão de ser ou não o que a comunidade esperava. Para a obra ser considerada concluída tem que ser sem faltar itens básicos. Tem que estar tudo pronto, sinalização, pavimentação, iluminação e itens de segurança íntegros, e não está", afirmou Franz Mendes.
Obra é fruto de pressão popular
As obras da avenida Guaicurus são resultado de uma série de protestos e reuniões de mobilização popular, em prol de sua duplicação e iluminação. Os acidentes de trânsito, inclusive graves e com mortes, eram recorrentes há décadas.
Após muita pressão popular, o ‘ponta pé’ para as obras de duplicação da avenida foi dado no dia 9 de abril de 2010, quando o então governador André Puccinelli (PMDB) disse que as faria se a comunidade contribuísse com o projeto.
No dia 1º de maio de 2010 foi instituída a Comissão Pró-Duplicação da Avenida Guaicurus, para acompanhar a elaboração do projeto e execução da obra pelo Governo do Estado. Demorou em torno de um ano para que o projeto ficasse pronto, e pudessem ser iniciados os processos licitatórios.
No entanto, as obras de duplicação só iniciaram mesmo em outubro de 2013, com previsão de terminar em 2014. Ao final daquele ano, Puccinelli saiu do governo dizendo que deixou dinheiro em caixa para fazer a avenida.
Quando assumiu o Governo no início de 2015, Reinaldo Azambuja (PSDB), falava que a administração anterior havia deixado um cemitério de obras pelo Estado. Foi quando criou o projeto "Obras Inacabadas Zero", no qual incluiu a avenida Guaicurus, relembre aqui. Mas, após um ano e cinco meses de administração, a avenida ainda não foi entregue oficialmente.
O investimento inicial previsto para a obra ficou em R$ 28,9 milhões. O trecho alvo abrange o final da rua Aziz Rasslen até a rotatória de acesso ao Aeroporto Regional de Dourados – Francisco de Mattos Pereira e Cidade Universitária
Esse ponto da avenida é de tráfego intenso, já que além de ser acesso para o Aeroporto, Uems (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) e UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), também é usada por militares da 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, trabalhadores de indústria, produtores rurais e moradores de bairros próximos.
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