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Filas nas prisões são retrato do desequilíbrio social entre homens e mulheres encarcerados

A condição social é um dos fatores determinantes na criminalidade

14/03/2016 às 14h00
Por: Redacao Fonte: Midia Max
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Ela foi presa, privada da convivência familiar e perdeu o direito de amamentar a filha, que na época não tinha mais do que três meses de vida. Perdeu quase dois anos do crescimento e desenvolvimentos da pequena e das outros dois, que hoje têm 8 e 10 anos. Tudo isso porque o marido traficava drogas e usava a casa da família como esconderijo.
Ela foi presa por um crime que ele cometeu, e ficou um bom tempo encarcerada até ser julgada e inocentada. E hoje? Hoje é domingo, é dia de visita e nada mais importa. Ela simplesmente está ali desde que o dia amanheceu, com a menina de dois anos no colo e olhar atendo aos outros dois. Hoje ela veio trazer os filhos para visitar o pai, porque afinal, ela não tem o direito de priva-los da convencia familiar.  Hoje ela veio visitar o marido, aquele mesmo que a colocou na prisão um dia.

Esta é mais uma das reportagens especiais em alusão ao dia 8 de Março, que buscam problematizar aos leitores as violências cotidianas enfrentadas pelas mulheres. Violências essas que podem existir em todas as esferas da vida da mulher, até na fila de uma penitenciária.

Sabe quem mais está na fila? A mãe daquele jovem que foi preso por não cumprir com as medidas alternativas, depois ser pego com drogas. Ela está trazendo o filho dele, que tem nove anos e ainda acredita na inocência do pai. A diarista de 58 anos até acha desconfortável e constrangedor ficar nua na frente das agentes, sentar em banco de metal, gelado e ‘sujo’ de outras tantas mulheres que já passaram ali, mas afirma que “é preciso né”.

Também é muito complicado ver o neto nessa situação, mas pelo menos “não tiram a roupa das crianças. Só pedem para erguer o vestido ou abaixar a calça. Há, esqueci de dizer que também não precisamos mais fazer o agachamento nuas. Isso melhora um pouco as coisas”.

E a vergonha, ou medo, de ser vista na fila por algum conhecido, ou pior, pelo patrão. “Meu Deus, se ele me ver aqui eu sou demitida na mesma hora, porque as pessoas não entende que o fato de estarmos aqui não faz de nós bandidos também”, lembra a corretora de imóveis de 34 anos, que foi visitar o irmão, já que a mãe está doente e o resto da família simplesmente não se importa mais.

Machismo até na fila da cadeia
Mas afinal, porque elas estão ali? O que faz centenas de mulheres saírem de suas casas todos os domingos para serem constrangidas, humilhadas e expostas em presídios do país? Porque a fila de visita da penitenciária masculina é tão maior do que a feminina?

A nossa primeira personagem, que agora precisou apelar para a venda de roupas e lingeries para sustentar os filhos, já que não consegue mais emprego em lugar nenhum por causa de seu histórico criminal, disse que a resposta é simples: “Não tem fila porque as detentas pedem para a família não ir. É uma situação humilhante e desumana. Arrancam nossos filhos da gente, se nem ao menos se preocuparem com alimentação deles nos primeiros meses. A gente pede para não irem porque os amamos e não queremos que passem por isso”, afirmou.

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