Dezenas de indígenas e profissionais da área da saúde que atendem as demandas nas aldeias regionais protestaram na tarde desta quinta-feira (03) em frente a Sesai (Secretaria Especial de Sáude Indígena) de Dourados. Eles cobram a solução devido a pouca quantidade de viaturas que tem sido disponibilizadas para atendimentos nas aldeias, sendo que várias estão paradas no pátio da secretaria inaptas para uso.
De acordo com Valdinei Ribeiro Ramires, líder indígena da aldeia Jaguapiru, atualmente somente três caminhonetes são disponibilizadas aos profissionais e com isso boa parte desses ficam na sede da secretaria sem poder realizar os atendimentos. Ele cita que com a situação muitos indígenas que precisariam dos serviços acabam por não receber a assistência.
"São enfermeiros, psicólogos, dentistas e outros que não conseguem ir até a comunidade e muitos perecem sem o atendimento. É muito pouco o que tem e para amenizar a situação os profissionais fazem regime de plantão e tem dado conta apenas das situações mais urgentes", conta.
O líder afirma que inicialmente eram 15 viaturas que atendiam a comunidade e que com o tempo esse número foi diminuindo até chegar ao que está. Segundo ele, a população e os profissionais já cobram medidas tem algum tempo e temem a falta atenção a causa.
"Nós temos acompanhado que cada vez tinha menos [viaturas] e temos cobrado essa situação, só que não temos nenhum retorno. Como está já está difícil e sabemos que os que tem pode estragar e piorar o fato, temos medo e estamos aqui para cobrar para as pessoas que precisam", conta.
O enfermeiro Alex de Souza atende a comunidade e cita que o trabalho muitas vezes é fica limitado por conta da falta de transporte. Ele afirma que alguns profissionais já chegaram até mesmo a usar o próprio veículo para realizar atendimentos e que medidas são necessárias.
"É muito difícil para gente sabemos que as pessoas precisam e muitas vezes não podemos chegar a elas. Alguns já chegaram a usar o próprio carro para o serviço, mas é complicado para a gente, nós e a comunidade temos sofrido com isso, precisamos dos carros e mais atenção no geral para a saúde do nosso povo" destacou.
O Dourados News entrou em contato com o coordenador estadual da Sesai, Ilário da Silva, para obter um posicionamento sobre a situação e foi informado que esclarecimentos seriam prestados aos participantes do protesto ainda no final da tarde desta quinta-feira (03).
De acordo com ele, a situação chegou a esse ponto por conta dos veículos, que são antigos, terem sofrido danos ao percorrerem as estradas que estão precárias por conta das constantes chuvas. Ele cita que em breve mais duas viaturas serão liberadas e que as outras receberão reparos conforme possibilidade orçamentária.
"De seis meses para cá tem ocorrido esse problema, pois os carros não são novos e contaram com prejuízos ao enfrentarem as estradas. Já estamos fazendo o monitoramento dessa situação, vamos liberar mais dois veículos e outros mais para frente conforme liberação de verba", disse.
Ilário comenta que as medidas adotadas são emergenciais e que para que as viaturas passem a contar com um serviço constante, esse será terceirizado, o que deve contribuir para evitar condições como essa. "Já está se tomando as providências e dentro de dois a três meses, essa parte será terceirizada e acreditamos que vá melhorar muito essa circunstância", comentou.
Ainda conforme o líder, o posicionamento oficial das medidas a serem tomadas era esperado pelo grupo e que caso isso não ocorresse iria articular novos atos de protesto.
"Não vamos desistir de cobrar, a comunidade tem sofrido e se não vermos ações, vamos fazer outros movimentos", comentou Valdinei.
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