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Menina de 7 anos dá lição de solidariedade e doa cabelo a pacientes em câncer

28/10/2015 às 07h30
Por: Redacao Fonte: Dourados News
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Nathalia Marim Santos Serrado, 7 anos, deixou os cabelos curtinhos para doar mechas (Foto: Arquivo Pessoal)
Nathalia Marim Santos Serrado, 7 anos, deixou os cabelos curtinhos para doar mechas
(Foto: Arquivo Pessoal)

Quando qualquer pessoa chega até Nathalia Marim Santos Serrado, 7 anos, e pergunta sobre seu novo corte de cabelo – bem mais curtinho do que aquele cabelão na cintura que tinha anteriormente -, ela logo diz toda orgulhosa: “eu cortei para doar”. Depois de cultivar longas madeixas por um ano, a menina doou à ACCGD (Associação de Combate ao Câncer da Grande Dourados) para confecção de perucas usadas por mulheres com câncer.

Cabelos da Nathalia estavam longos antes de serem cortados para doação (Foto: Arquivo Pessoal)
Cabelos da Nathalia estavam longos antes
de serem cortados para doação (Foto:
Arquivo Pessoal)

Quem estimulou Nathalia foi a mãe Joyce Marim Santos Serrado, 29. Há meses, a filha já estava com as mechas longas e precisava cortar. Mas, a mãe deu a sugestão de esperar crescer mais um pouco para doação e a filha topou na hora. “Estava muito grande, um pouco abaixo da cintura. Tinha que lavar todo dia, ela nem dava mais conta de cuidar sozinha”, relata Joyce.

Enquanto o dia do corte não chegava, a mãe foi em busca de informações sobre como poderia fazer para a filha doar os cabelos. Ela chegou a publicar numa rede social um questionamento com o objetivo de achar alguém que pudesse a informa-la. Encontrou gente que presta essa solidariedade às mais diversas instituições. “Eu encontrei uma moça que todo ano deixa crescer para fazer a doação, conversei com ela. Achei muito bacana isso”, relata.

A família vem a Dourados aos finais de semana. Joyce descobriu que poderia fazer a doação à ACCGD que possui uma sala no Hospital do Câncer. A Nathalia então, finalmente, cortou o cabelo para que a doação fosse realizada.

“Eu fiquei feliz em ver que ela [Nathalia] é solidária. Mulher é muito apegada ao cabelo, desde pequena, e ela se desprendeu”, relata. A atitude da filha deu à mãe orgulho e o desejo de fazer o mesmo. “Eu fiquei com vontade de doar também, mas o meu ainda é muito curtinho. Vou ter que deixar crescer mais”, relata.

Além do bem que faz um gesto de solidariedade, a sugestão da mãe ainda despertou em Nathalia o interesse em saber mais sobre o câncer. “Ela veio perguntar para a gente o que é e explicamos”, relatou. Entre outros, ela contou à filha que o tratamento faz as pessoas perderem cabelo e que é importante saber que tem outras que se preocupam com elas.

O gesto ainda serve de exemplo para que mais pessoas façam o mesmo. “Eu digo que é uma doação simples, não custa nada, afinal o corte do cabelo você vai ter que fazer e pagar uma hora ou outra, e ainda ajuda a quem precisa”, relata Joyce.

Maria Aparecida Palmeira é a responsável pela sala da associação no Hospital e lembra que atitudes como a da Nathalia são importantes para o trabalho desenvolvido. No local, elas recebem os cabelos já prontos. “Não temos cabelereira aqui, então damos a orientação e pessoa já traz cortado”, relata. O ideal para doação é que os cortes sejam feitos em mechas inteiras para desperdiçar o mínimo possível e ter mais de 30 centímetros de comprimento.

Após receber os cabelos, a associação manda confeccionar a peruca que é emprestada às pacientes com câncer em tratamento no Hospital. “A gente faz umas adaptações, uma franja mais do gosto de quem está com a peruca e a paciente fica com ela”, relata Maria. A paciente usa o tempo que for necessário e quando o cabelo começa a crescer, devolve a peruca para a associação. A entidade faz uma reforma e repassa para outra pessoa.

Hoje a associação tem 21 perucas, dessas apenas três estão “liberadas” para uso e foram devolvidas essa semana. Não devem demorar muito por ali, já que a procura é grande, por isso a importância de receber as doações.

“Quando a paciente coloca a peruca e se olha no espelho, abre um sorriso no rosto que até arrepia. É gratificante para quem doa, para quem recebe e para a gente também”, acredita.

Qualquer pessoa que possa doar cabelos – com ou sem química -, acima de 30 centímetros é só cortar e levar as mechasaté a sala da ACCGD que fica no 2º andar do Hospital do Câncer. O atendimento é de segunda a sexta-feira das 8h às 17h.

 

 

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