Após dois dias de bloqueio, indígenas liberaram o anel viário e a carreta que atropelou Miguel Brites, de 57 anos, na tarde de terça-feira. A promessa de início das obras de redutores de velocidade em cinco pontos daquela pista de acesso à Aldeia Bororó foi decisiva.
O agricultor guarani Aderson Machado, de 47 anos, disse em entrevista ao jornal Douradosagora que o tráfego está livre, agora. "Vamos esperar até às 10 horas da próxima segunda-feira, se eles [equipe da Agesul] não chegarem, o anel viário será bloqueado, de novo", afirma Aderson.
O início das obras dos redutores foi assegurada, ontem, durante encontro do vereador Aguilera de Souza, representante dos indígenas na Câmara de Vereadores de Dourados, Aderson Machado e demais lideranças, com o governador do Estado, Reinaldo Azambuja.
Logo que retornou da Capital, Aguilera foi ao trecho bloqueado do anel viário, na região da Aldeia Bororó, acompanhado pelo presidente da Mesa Diretora da Câmara, Idenor Machado, e Valdenir Machado, representante da governadoria em Dourados.
A Polícia Militar, através da Força Tática e o Grupo Especializado Tático Motorizado (Getam), reforçavam a segurança no local. O jornal Douradosagora acompanhou o encontro, que foi tenso.
O vereador indígena apresentou a proposta firmada, por escrito, às lideranças que vinham se revezando no bloqueio do anel viário.
Segundo Aguilera, a obra começa em poucos dias. “Técnicos da Agesul estarão em Dourados na semana que vem para fazer estudos na via a fim de ver os pontos e as medidas a serem tomadas”, disse o vereador ao jornal Douradosagora.
A negociação foi marcada por discussão entre lideranças e autoridades. A princípio, os indígenas não concordavam com a proposta de liberar a carreta que atropelou Miguel Brites, anteontem, nem tampou a pista. No entanto, ao final, o veículo foi retirado daquela via e entregue ao proprietário que acompanhou a conversa, sempre lamentando pelo ocorrido.
Retrospectiva
Conforme noticiou o jornal Douradosagora, o caiuá Miguel Brites cruzava a rodovia quando foi atropelado por uma carreta Mercedes Benz, carregada de pedra brita. Miguel estava de bicicleta e foi socorrido em estado grave ao Hospital da Vida, porém não resistiu e morreu.
De acordo com testemunhas, o condutor ainda tentou desviar, jogando o caminhão para o lado. O mesmo fez o ciclista que acabou batendo na lateral da carreta e foi atropelado. Socorrido pelos Bombeiros e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Miguel Brites morreu antes de dar entrada no Hospital da Vida.
Aderson Machado, morador na aldeia Bororó, diz que o anel viário, também conhecido como perimetral norte, permaneceria fechado por tempo indeterminado. "Já derramou muito sangue nessa rodovia e está na hora de acabar", disse ele, que na companhia de amigos colocou tronco e galhos de árvores na rodovia. O bloqueio durou dois dias, terça e quarta-feira.
Segundo o guarani, as lideranças só iriam liberar a pista e o caminhão que atropelou Miguel quando começassem as obras dos redutores de velocidade no anel viário, entre as rodovias MS-156 e Guaicurus, em cinco acessos à Aldeia Bororó.
Ano passado a comunidade indígena foi até o gabinete do ex-governador André Puccinelli pedir redutor de velocidades. Porém, segundo Anderson Machado, foram atendidos com o sistema de sonorizadores, dispositivo sobre a superfície da pista que provoca ruído quando o veículo passa, alertando o condutor para uma situação atípica à frente.
"Queremos quebra-molas para passagem de pedestre, como existe na MS-156, que também corta a reserva indígena, na Aldeia Jaguapiru. Não adianta esse outro dispositivo no anel viário, porque não reduz velocidade", afirmou ele revoltado com a situação.
Após o acidente, o condutor da carreta permaneceu no local e precisou ser escoltado pela Força Tática da Polícia Militar, sendo encaminhado à delegacia para prestar esclarecimentos.
O veículo continuava na pista bloqueada, até ontem, antes da negociação entre lideranças e autoridades.
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